A Ripple anunciou nesta segunda-feira (29) o XRPL Lending Protocol, uma camada de empréstimo institucional para o XRP Ledger. Pela proposta, a mecânica do crédito roda no blockchain e a decisão de underwriting fica fora dele, com o lender. A empresa já tem operação no Brasil e protocolou pedido de licença junto ao Banco Central em março de 2026.
O termo usado pela Ripple para descrever a arquitetura é “simple split”. O ledger cuida da custódia e do enforcement do contrato; o lender, por sua vez, conduz a análise de risco e respeita os marcos jurisdicionais. O caso de uso destacado pela companhia é financiamento de curto prazo para empresas de pagamento: uma fintech que mantém reservas em RLUSD, a stablecoin da Ripple, pode tomar crédito contra um settlement transfronteiriço ainda em trânsito, em vez de sacar uma linha bancária.
Quem decide o crédito em cada modelo
| Modelo | Quem decide o crédito |
|---|---|
| XRPL Lending Protocol | Lender, fora do blockchain |
| Protocolos DeFi atuais | Governança comunitária (votação) |
| Linha bancária tradicional | Banco originador |
Modelos de decisão de crédito em empréstimo. Fonte: PYMNTS
A crítica do XRP Ledger ao DeFi cripto-nativo
O argumento usado pela Ripple para vender o desenho híbrido é a fragilidade do voto comunitário como mecanismo de risco. Segundo o PYMNTS, a empresa afirmou que os protocolos atuais “foram construídos em torno de governança cripto-nativa” (em tradução livre) e que “um protocolo pode mudar suas regras de risco por votação comunitária, o que instituições não conseguem subscrever de antemão” (em tradução livre). A leitura é clara: enquanto regras puderem virar do dia para a noite por assembleia de token holders, balcões institucionais ficam de fora.
A série histórica do Let’s Money sobre a Ripple mostra a empresa avançando em passos institucionais. Em março de 2026, pediu licença ao Banco Central. Em junho, recebeu aval preliminar para licença cripto na União Europeia sob o MiCA. Em paralelo, comprou fatia da Flutterwave numa rodada de US$ 3,25 bilhões. O lending protocol entra agora na mesma toada.







