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Ripple mira empréstimo onchain no XRP Ledger

A Ripple anunciou plano para uma camada de empréstimo no XRP Ledger, com decisão de crédito off-chain. Empresa pediu licença ao BC em março de 2026.

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· 3 min

Atualizado em

Bernardo Ramonfaur / Shutterstock.com

A Ripple anunciou nesta segunda-feira (29) o XRPL Lending Protocol, uma camada de empréstimo institucional para o XRP Ledger. Pela proposta, a mecânica do crédito roda no blockchain e a decisão de underwriting fica fora dele, com o lender. A empresa já tem operação no Brasil e protocolou pedido de licença junto ao Banco Central em março de 2026.

O termo usado pela Ripple para descrever a arquitetura é “simple split”. O ledger cuida da custódia e do enforcement do contrato; o lender, por sua vez, conduz a análise de risco e respeita os marcos jurisdicionais. O caso de uso destacado pela companhia é financiamento de curto prazo para empresas de pagamento: uma fintech que mantém reservas em RLUSD, a stablecoin da Ripple, pode tomar crédito contra um settlement transfronteiriço ainda em trânsito, em vez de sacar uma linha bancária.

Quem decide o crédito em cada modelo

Modelo Quem decide o crédito
XRPL Lending Protocol Lender, fora do blockchain
Protocolos DeFi atuais Governança comunitária (votação)
Linha bancária tradicional Banco originador

Modelos de decisão de crédito em empréstimo. Fonte: PYMNTS

A crítica do XRP Ledger ao DeFi cripto-nativo

O argumento usado pela Ripple para vender o desenho híbrido é a fragilidade do voto comunitário como mecanismo de risco. Segundo o PYMNTS, a empresa afirmou que os protocolos atuais “foram construídos em torno de governança cripto-nativa” (em tradução livre) e que “um protocolo pode mudar suas regras de risco por votação comunitária, o que instituições não conseguem subscrever de antemão” (em tradução livre). A leitura é clara: enquanto regras puderem virar do dia para a noite por assembleia de token holders, balcões institucionais ficam de fora.

A série histórica do Let’s Money sobre a Ripple mostra a empresa avançando em passos institucionais. Em março de 2026, pediu licença ao Banco Central. Em junho, recebeu aval preliminar para licença cripto na União Europeia sob o MiCA. Em paralelo, comprou fatia da Flutterwave numa rodada de US$ 3,25 bilhões. O lending protocol entra agora na mesma toada.

O cenário regulatório nos EUA e o alerta global

O movimento da Ripple ocorre num momento sensível para stablecoins. Nos Estados Unidos, o GENIUS Act, que regulamenta o segmento, foi sancionado no ano passado e está em fase de rulemaking. Em junho, o BIS publicou alerta de que stablecoins podem ameaçar a estabilidade financeira global, num documento que sintetiza preocupações de bancos centrais. A combinação de regulação ainda em formação com lançamento de produtos de crédito onchain coloca operadores em terreno onde compliance é dinâmico.

O que observar

O modelo híbrido testa três frentes. Primeira, a velocidade com que empresas de pagamento que mantêm reservas em stablecoin vão buscar crédito de curto prazo em camadas onchain, em vez de em linhas bancárias. Segunda, a reação dos protocolos cripto-nativos: passam a aceitar decisão off-chain como forma de capturar capital institucional ou mantêm governança puramente comunitária? Terceira, como reguladores enxergam um arranjo em que parte do contrato roda em ledger público e parte das obrigações de risco fica em jurisdição tradicional. A resposta a essas três pode definir se camadas de lending em blockchain institucional viram canal relevante ou seguem como nicho dos operadores cripto-nativos.

Fontes: PYMNTSLet’s Money: Ripple pede licença ao BCLet’s Money: aval preliminar na UELet’s Money: Ripple compra fatia da FlutterwaveLet’s Money: BIS alerta sobre stablecoins

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