A Ripple comprou fatia da Flutterwave na Series E que avalia a fintech africana de pagamentos em US$ 3,25 bilhões. O cheque, descrito como significativo mas com valor não divulgado, vem casado com a integração da stablecoin RLUSD e do XRP Ledger nos rails de pagamento da empresa.
Anatomia do cheque da Ripple na Flutterwave
Item
Detalhe
Rodada
Series E
Valuation da Flutterwave
US$ 3,25 bilhões
Investidor estratégico
Ripple, com valor não divulgado em caixa
Integração técnica
RLUSD e XRP Ledger nos rails da Flutterwave
Detalhes do anúncio Ripple-Flutterwave de 16 de junho de 2026. Fonte: Finextra
Como o cheque entra na infraestrutura
A Flutterwave já processou mais de 1 bilhão de transações totalizando US$ 50 bilhões em volume e levantou mais de US$ 500 milhões em capital desde a fundação, segundo o release conjunto com a Ripple. A integração técnica acontece em três frentes: usar o RLUSD como ativo de liquidação nos rails da Flutterwave e nos corredores de remessa do Send App, deslocar parte da liquidação para o XRP Ledger em busca de mais velocidade, e expor uma API unificada para conectar a rede doméstica da fintech à Ripple Payments.
“Este investimento marca um momento decisivo na nossa jornada e nos permite ampliar significativamente a infraestrutura e expandir o roadmap de pagamentos com stablecoin” (em tradução livre), disse Olugbenga “GB” Agboola, fundador e CEO da Flutterwave. Em entrevista ao TechCabal, o executivo afirmou que a Ripple “fez um investimento significativo, de fato em caixa, e agora é acionista” (em tradução livre) da empresa.
Antes da Ripple, a Flutterwave já tinha construído um pé na infraestrutura de stablecoin com parcerias com a Turnkey e a Nuvion para carteiras nativas em USDC e USDT para seus comerciantes. A nova rodada formaliza essa direção e adiciona uma terceira moeda dolarizada, o RLUSD, ao cardápio. A fintech também havia comprado uma fintech de open banking no início do ano, em movimento de adensamento do produto.
“A Flutterwave construiu uma das redes de pagamento mais avançadas da África e, à medida que sua infraestrutura evolui, stablecoins estão se tornando centrais nessa história”, disse Reece Merrick, diretor-gerente para Oriente Médio e África da Ripple. “Nosso investimento vai estabelecer o RLUSD dentro dessa infraestrutura, com a Flutterwave conduzindo fluxos de stablecoin sobre o XRPL e aprofundando seu papel como camada de liquidação para pagamentos reais no continente” (em tradução livre).
O modelo que a Flutterwave passa a operar com o RLUSD não é novo conceitualmente. Em entrevista ao podcast Let’s Money em março de 2026, o fundador de uma empresa global de transferências internacionais via stablecoin descreveu o trilho fiat-stablecoin-fiat aplicado em 30 países. Sobre o ganho operacional, disse: “Chegou 10 horas da noite, 11 horas da noite, meia-noite, 4 horas da manhã, cara, consigo liberar meio que instantaneamente, porque a gente consegue fazer esse pagamento rápido e ágil, e é 24×7.” A diferença na nova rodada é a escala: a Flutterwave processa mais de US$ 50 bilhões em volume no continente, e a Ripple paga em caixa para plugar sua moeda dentro desse fluxo.
O que observar
Vale acompanhar quanto da liquidação efetivamente migra para stablecoins nos próximos 12 meses e se novos ledgers absorvem volume significativo frente às blockchains já usadas por adquirentes locais. A coexistência de três stablecoins na mesma plataforma é outra variável: ao misturar emissores, processadoras de pagamento ganham flexibilidade, mas passam a depender de liquidez constante em cada uma. Para emissores de stablecoin que disputam adoção em corredores cross-border, o teste é se cheques estratégicos em players regionais conseguem mover stablecoins emergentes, ainda na casa de US$ 1,6 bilhão em suprimento, para um patamar competitivo com as moedas dominantes num mercado global estimado em US$ 300 bilhões.