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Ripple compra fatia da Flutterwave em rodada de US$ 3,25 bi

Aporte vem casado com integração da stablecoin RLUSD e do XRP Ledger nos rails da fintech, que processa US$ 50 bi em transações no continente.

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· 4 min

Atualizado em

Bernardo Ramonfaur / Shutterstock.com

A Ripple comprou fatia da Flutterwave na Series E que avalia a fintech africana de pagamentos em US$ 3,25 bilhões. O cheque, descrito como significativo mas com valor não divulgado, vem casado com a integração da stablecoin RLUSD e do XRP Ledger nos rails de pagamento da empresa.

Anatomia do cheque da Ripple na Flutterwave

Item Detalhe
Rodada Series E
Valuation da Flutterwave US$ 3,25 bilhões
Investidor estratégico Ripple, com valor não divulgado em caixa
Integração técnica RLUSD e XRP Ledger nos rails da Flutterwave

Detalhes do anúncio Ripple-Flutterwave de 16 de junho de 2026. Fonte: Finextra

Como o cheque entra na infraestrutura

A Flutterwave já processou mais de 1 bilhão de transações totalizando US$ 50 bilhões em volume e levantou mais de US$ 500 milhões em capital desde a fundação, segundo o release conjunto com a Ripple. A integração técnica acontece em três frentes: usar o RLUSD como ativo de liquidação nos rails da Flutterwave e nos corredores de remessa do Send App, deslocar parte da liquidação para o XRP Ledger em busca de mais velocidade, e expor uma API unificada para conectar a rede doméstica da fintech à Ripple Payments.

“Este investimento marca um momento decisivo na nossa jornada e nos permite ampliar significativamente a infraestrutura e expandir o roadmap de pagamentos com stablecoin” (em tradução livre), disse Olugbenga “GB” Agboola, fundador e CEO da Flutterwave. Em entrevista ao TechCabal, o executivo afirmou que a Ripple “fez um investimento significativo, de fato em caixa, e agora é acionista” (em tradução livre) da empresa.

Antes da Ripple, a Flutterwave já tinha construído um pé na infraestrutura de stablecoin com parcerias com a Turnkey e a Nuvion para carteiras nativas em USDC e USDT para seus comerciantes. A nova rodada formaliza essa direção e adiciona uma terceira moeda dolarizada, o RLUSD, ao cardápio. A fintech também havia comprado uma fintech de open banking no início do ano, em movimento de adensamento do produto.

Por que a África entra na conta da Ripple

A Mastercard projeta que pagamentos dolarizados no continente africano vão chegar a US$ 1,5 trilhão por ano até 2030. Para a Ripple, o cheque na Flutterwave funciona como atalho para presença regional: em vez de construir do zero, a empresa se cola a uma rede que já roda no continente. O movimento se soma a um trimestre de expansão geográfica acelerada, em que a Ripple pediu licença ao Banco Central no Brasil e adquiriu a BC Payments e licença financeira na Austrália.

“A Flutterwave construiu uma das redes de pagamento mais avançadas da África e, à medida que sua infraestrutura evolui, stablecoins estão se tornando centrais nessa história”, disse Reece Merrick, diretor-gerente para Oriente Médio e África da Ripple. “Nosso investimento vai estabelecer o RLUSD dentro dessa infraestrutura, com a Flutterwave conduzindo fluxos de stablecoin sobre o XRPL e aprofundando seu papel como camada de liquidação para pagamentos reais no continente” (em tradução livre).

O modelo que a Flutterwave passa a operar com o RLUSD não é novo conceitualmente. Em entrevista ao podcast Let’s Money em março de 2026, o fundador de uma empresa global de transferências internacionais via stablecoin descreveu o trilho fiat-stablecoin-fiat aplicado em 30 países. Sobre o ganho operacional, disse: “Chegou 10 horas da noite, 11 horas da noite, meia-noite, 4 horas da manhã, cara, consigo liberar meio que instantaneamente, porque a gente consegue fazer esse pagamento rápido e ágil, e é 24×7.” A diferença na nova rodada é a escala: a Flutterwave processa mais de US$ 50 bilhões em volume no continente, e a Ripple paga em caixa para plugar sua moeda dentro desse fluxo.

O que observar

Vale acompanhar quanto da liquidação efetivamente migra para stablecoins nos próximos 12 meses e se novos ledgers absorvem volume significativo frente às blockchains já usadas por adquirentes locais. A coexistência de três stablecoins na mesma plataforma é outra variável: ao misturar emissores, processadoras de pagamento ganham flexibilidade, mas passam a depender de liquidez constante em cada uma. Para emissores de stablecoin que disputam adoção em corredores cross-border, o teste é se cheques estratégicos em players regionais conseguem mover stablecoins emergentes, ainda na casa de US$ 1,6 bilhão em suprimento, para um patamar competitivo com as moedas dominantes num mercado global estimado em US$ 300 bilhões.

Fontes: FinextraPRNewswireTechCabalCoinDeskLet’s Money Podcast: How Stablecoins Accelerate Global Transfers

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