A Ripple publicou nesta semana um roadmap de quatro fases para tornar o XRP Ledger pós-quântico até 2028. O plano começa ainda em 2026 com testes em parceria com a startup Project Eleven e termina com uma emenda ao protocolo que vai migrar as assinaturas da rede para criptografia resistente a computadores quânticos.
As quatro fases do plano pós-quântico
| Fase |
Objetivo |
Prazo |
| 1 |
Recuperação pós-quântica (Q-Day) |
Contingência imediata |
| 2 |
Planejamento e testes com algoritmos do NIST |
1º semestre de 2026 |
| 3 |
Integração de assinaturas híbridas em Devnet |
2º semestre de 2026 |
| 4 |
Emenda ao protocolo e migração da rede |
2028 |
Roadmap de 4 fases da Ripple para o XRP Ledger. Fonte: Ripple Insights
O que acende o alerta quântico
A motivação citada pela empresa é direta: pesquisas recentes do Google Quantum AI mostram que a criptografia que protege a maioria das blockchains hoje pode ser quebrada por computadores quânticos suficientemente avançados. A ameaça atinge os algoritmos que assinam transações, protegem carteiras e verificam a origem de ativos digitais.
O plano trata a migração como um “desafio arquitetônico que afeta desempenho, armazenamento, usabilidade, criptografia e design de protocolo”, afirmou a Ripple. Na prática, trocar o esquema de assinaturas de uma rede ativa exige verificar performance, overhead de armazenamento e compatibilidade com carteiras e validadores existentes antes de qualquer ativação em produção.
As quatro fases do XRP Ledger pós-quântico
A fase 1 estabelece um plano de contingência para o que a companhia chama de “Q-Day”: caso a criptografia clássica seja quebrada antes do prazo, o XRP Ledger deixaria de aceitar assinaturas antigas e exigiria migração imediata para chaves pós-quânticas. A fase 2, já em execução, usa o primeiro semestre de 2026 para testar algoritmos recomendados pelo NIST contra o modelo de transações do XRPL, em parceria com a startup de segurança pós-quântica Project Eleven.
No segundo semestre, a Ripple pretende rodar assinaturas candidatas lado a lado com o esquema atual em uma rede de testes. A fase 4 é a execução: “Vamos projetar, construir e propor uma nova emenda ao ecossistema XRPL para criptografia pós-quântica nativa e iniciar a transição da rede para assinaturas baseadas em PQC em escala”, afirmou a empresa. A ativação em mainnet depende de consenso dos validadores.
O que observar
A janela até 2028 parece confortável, mas a ameaça pós-quântica não espera: chaves públicas e transações armazenadas hoje podem ser capturadas agora e decifradas depois, quando computadores quânticos avançarem. O cálculo vale para qualquer infraestrutura financeira que dependa de assinaturas digitais, de infraestruturas públicas como Pix, Drex e Open Finance a custodiantes institucionais de cripto e sistemas de pagamento instantâneo.
Vale acompanhar o que sai da experimentação com assinaturas híbridas em 2026. Se o overhead de verificação for alto demais, o prazo de 2028 pode escorregar ou forçar tradeoffs entre segurança pós-quântica e throughput, um dilema que redes de pagamento de alta vazão vão ter que encarar nos próximos anos. A escolha de padrões do NIST também importa: redes que adotarem esquemas diferentes podem perder interoperabilidade com carteiras e exchanges construídas sobre a seleção mais comum.
Fontes: Finextra • Ripple Insights • Finbold • Let’s Money: Ripple expande plataforma de pagamentos no Brasil • Let’s Money: BC prevê integração de Pix, Drex e Open Finance