A taxa de juros do rotativo do cartão de crédito avançou para 432,1% ao ano em abril, alta de 3,7 pontos percentuais frente a março, segundo as Estatísticas de Crédito do Banco Central divulgadas nesta quinta-feira (28). O cheque especial também subiu, de 138,9% para 141,1%, enquanto o parcelado do cartão recuou de 192,1% para 188,1%.
Crédito ao consumidor: março x abril de 2026
| Linha | Março | Abril |
|---|---|---|
| Rotativo do cartão | 428,4% a.a. | 432,1% a.a. |
| Parcelado do cartão | 192,1% a.a. | 188,1% a.a. |
| Taxa total do cartão | 93,2% a.a. | 94,3% a.a. |
| Cheque especial | 138,9% a.a. | 141,1% a.a. |
Taxas de juros de crédito ao consumidor em março e abril de 2026. Fonte: Valor Investe
Por que 432% convive com um teto de 100%
Desde 3 de janeiro de 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu que os encargos totais de novas operações no rotativo e no parcelado não podem superar 100% do valor original da dívida. A regra limita a acumulação de juros, não a taxa anual: um saldo de R$ 800 não pode gerar mais de R$ 800 em encargos ao longo de toda a operação, mas a taxa anualizada continua refletindo o custo do crédito de curtíssimo prazo.
O 432% é uma projeção estatística do que seria cobrado em 12 meses seguidos na mesma posição. Na prática, a maioria dos consumidores quita o saldo ou migra para o parcelado dentro de dias ou semanas, o que mantém a acumulação dentro do teto. Para comparação, o crédito consignado operou a 28,2% ao ano no mesmo período, com as modalidades atreladas ao INSS em 23,9%. A distância entre os dois extremos evidencia que a presença de garantia ainda é o principal determinante do preço do crédito no Brasil.








