O Banco Santander recebeu em 12 de junho a aprovação do OCC, regulador bancário federal dos EUA, para incorporar o Webster Bank em uma operação de US$ 12,2 bilhões anunciada em 3 de fevereiro de 2026. O fechamento, previsto para o segundo semestre, ainda depende de luz verde do Federal Reserve Board e do Banco Central Europeu.
Como o aval do OCC se encaixa no quebra-cabeça regulatório
A luz verde do OCC é um dos passos mais sensíveis em fusões bancárias americanas, porque o regulador examina concentração de mercado pela ótica do Bank Merger Act. Com esse aval, o Santander destrava um dos três sinais que a operação precisa: o segundo é o Federal Reserve Board, que avalia condições de capital; o terceiro é o Banco Central Europeu, que supervisiona o Santander como instituição matriz na Espanha. A assembleia geral do banco já havia aprovado o aumento de capital necessário para financiar a aquisição, em 27 de março de 2026.
Ana Botín, chair-executiva do Santander, afirmou em comunicado que a operação posiciona o grupo como “um banco regional bem diversificado” nos Estados Unidos. John R. Ciulla, presidente e CEO do Webster Financial, afirmou no anúncio do deal que a transação fortaleceria o suporte aos clientes e abriria novas oportunidades de crescimento.
Santander avança em três frentes internacionais em paralelo
O movimento estende uma sequência internacional do banco que a Let’s Money tem acompanhado. Em março de 2026, a corretora de fundos do grupo apareceu exposta ao colapso da MFS no Reino Unido, episódio que entrou nos resultados do banco. Em abril de 2026, Botín viajou ao Brasil para o início das obras do novo Campus JK em São Paulo, em sinal de que a expansão norte-americana convive com investimento robusto na operação latino-americana. O deal com o Webster Financial fecha um arco que se desenrola em paralelo, na maior aposta de Botín em retail e commercial banking dos EUA até aqui.
Cronograma da aquisição do Webster Bank pelo Santander
| Data |
Marco |
| 3 de fevereiro de 2026 |
Anúncio do deal de US$ 12,2 bilhões |
| 27 de março de 2026 |
Assembleia aprova aumento de capital do Santander |
| 12 de junho de 2026 |
OCC aprova a fusão do Webster Bank no Santander Bank |
| Segundo semestre de 2026 |
Fechamento previsto, sujeito a Fed Board e BCE |
Cronograma público da operação reportado pela PYMNTS, com base em filings SEC e comunicados das empresas. Fonte: PYMNTS
O peso do trilho regulatório duplo
Aquisições bancárias nos Estados Unidos seguem o Bank Merger Act, e a aprovação do OCC é o sinal de que o regulador entende que a operação não cria concentração excessiva no mercado nacional. O peso adicional do caso vem do fato de o Santander ser um banco europeu, regulado em Madri pelo Banco Central Europeu, o que coloca a operação sob revisão paralela de duas autoridades transatlânticas. O Webster Financial é o holding listado em bolsa que detém o Webster Bank, com sede em Connecticut, e o anúncio de fevereiro previa uma fusão integral com o Santander Bank, a subsidiária americana do grupo. Pelo desenho do deal, a combinação miraria figurar entre os dez maiores bancos de varejo e comerciais dos Estados Unidos por ativos, conforme dados internos do Santander divulgados no release inicial.
O que observar
Vale acompanhar o ritmo das aprovações restantes. O Federal Reserve Board costuma rodar análise paralela sobre concentração de crédito por região, com janela típica entre 60 e 120 dias após o pedido formal. O Banco Central Europeu, por sua vez, avalia a operação pelo prisma do capital regulatório consolidado do grupo. Para portais de banking americano, a pergunta é se a janela de fechamento no segundo semestre se mantém ou desliza para 2027. Para instituições estrangeiras que estudam aquisições regionais nos Estados Unidos, o caso vira referência sobre o que esperar do trilho regulatório duplo, com revisão simultânea de autoridade nacional e supervisor de origem.
Fontes: PYMNTS • SEC: 8-K Webster Financial • SEC: 6-K Banco Santander • Let’s Money: Ana Botín inicia obra do Campus JK no Brasil • Let’s Money: Santander exposto a colapso da MFS no Reino Unido