O Santander divulgou um levantamento com 118 empresas que aponta as dez mais avançadas em inteligência artificial na América Latina e mostra que a adoção saiu do nicho de tecnologia. Globant lidera, seguida por Totvs e Nubank. Itaú, TIM, Magazine Luiza, Banorte, C&A, Coca-Cola Femsa e Yduqs completam o top 10.
Top 10 em adoção de IA, segundo o Santander
| Posição |
Empresa |
Setor |
| 1 |
Globant |
Tecnologia |
| 2 |
Totvs |
Software corporativo |
| 3 |
Nubank |
Financeiro |
| 4 |
Itaú |
Financeiro |
| 5 |
TIM |
Telecomunicações |
| 6 |
Magazine Luiza |
Varejo |
| 7 |
Banorte |
Financeiro (México) |
| 8 |
C&A |
Varejo |
| 9 |
Coca-Cola Femsa |
Bebidas |
| 10 |
Yduqs |
Educação |
Ranking divulgado em 2 de junho de 2026, com base em teleconferências de resultados de 118 empresas. Fonte: Valor Econômico.
O que cada setor faz com IA
Nas instituições financeiras, o uso de IA está concentrado em análise e concessão de crédito e em detecção de fraudes. No comércio, a tecnologia é aplicada na descoberta de produtos, em mecanismos de recomendação, no comércio conversacional e na conversão digital. No setor de telecomunicações, o foco está na automação de redes, atendimento ao cliente e produtividade corporativa. Já nas empresas de software corporativo, a IA está sendo usada para automação de fluxos de trabalho e diretamente em sistemas ERP, frente em que a Totvs reduziu em 46% o tempo de implantação.
O cruzamento setorial ajuda a explicar movimentos recentes do mercado financeiro brasileiro. A IA já entrou nos apps dos grandes bancos em frentes de atendimento e assessoria, e a tecnologia também avança em casos de uso preditivo: o Open Finance com IA passou a prever demanda por crédito antes mesmo do cliente pedir.
O que importa mais do que adoção isolada
Para o Santander, o que aparece nos calls não é igual ao que importa para o investidor. “Os casos mais informativos não são necessariamente os das empresas que apresentam, isoladamente, os maiores índices de adoção de inteligência artificial, mas sim aqueles em que a maturidade em IA se combina com dados proprietários, alcance de clientes, infraestrutura física, ambiente regulatório, custos de troca, resiliência dos lucros ou escala operacional”, afirma o relatório.
A lista do top 10 reflete essa lógica. Globant e Totvs aparecem por origem técnica e por integrarem IA no produto vendido. Nubank, Itaú e Banorte combinam dados proprietários massivos com escala operacional. TIM, Magazine Luiza, C&A, Coca-Cola Femsa e Yduqs entram pela capacidade de aplicar a tecnologia em alcance de cliente e infraestrutura distribuída, mostrando que adoção produtiva de IA depende menos do tamanho do orçamento de tecnologia e mais da combinação certa de ativos pré-existentes.
O que observar
O recorte divulgado confirma o que vinha aparecendo nos calls da temporada: bancos médios e grandes, varejistas e operadoras de telecom usam IA em casos com impacto direto em receita ou custo, não mais como vitrine. Vale acompanhar nos próximos trimestres se essa adoção produz alavancagem operacional visível em margens (especialmente em concessão de crédito e onboarding) ou se permanece marginal. A pergunta de fundo é se o moat real está no modelo treinado ou no conjunto de dados proprietários que alimenta os modelos, e qual desses ativos é mais difícil de replicar.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money