São Paulo ficou na 98a posição no Global Financial Centres Index 39, o ranking de centros financeiros mais influentes do mundo. É o único centro brasileiro no top 100, mas a América Latina registrou a maior queda média entre todas as regiões analisadas: 2,5% na pontuação.
GFCI 39: América Latina no ranking
| Cidade |
Posição |
Pontuação |
| Santiago |
91o |
658 |
| São Paulo |
98o |
651 |
| Rio de Janeiro |
105o |
642 |
| Cidade do México |
106o |
639 |
| Bogotá |
119o |
589 |
| Buenos Aires |
120o |
565 |
Fonte: GFCI 39, Z/Yen Partners
O que o ranking mede
O GFCI 39 avalia 120 centros financeiros a partir de 147 indicadores quantitativos de organismos como Banco Mundial, OCDE e Nações Unidas, combinados com 34.468 avaliações de 5.218 profissionais do mercado financeiro. No topo global, apenas um ponto separa os quatro primeiros: Nova York (767), Londres (766), Hong Kong (765) e Cingapura (764).
Dubai e Tóquio entraram no top 10 nesta edição, substituindo Chicago e Los Angeles. Em fintech, Hong Kong lidera o sub-ranking global, seguido por Shenzhen, Nova York, Cingapura e Londres. A queda média global foi de 1,82%, mas a América Latina caiu mais que o dobro. O relatório destaca que oito centros financeiros da região recuaram no ranking.
Onde São Paulo se diferencia
Renato Campos, CEO da Greyhound Trading, avaliou que a posição de São Paulo se explica pela escala produtiva e densidade empresarial, não apenas pelo tamanho da economia. Santiago, sete posições acima, consolida a liderança latino-americana com base em estabilidade regulatória e integração internacional. Enquanto o ecossistema financeiro brasileiro avança em inovação, com infraestrutura como Pix Internacional mirando a América Latina e Open Finance em expansão, o ranking sugere que previsibilidade institucional pesa mais que sofisticação tecnológica na avaliação global.
O que observar
A queda de 2,5% na pontuação média da região acontece num momento em que centros financeiros do Oriente Médio e da Ásia avançam rapidamente. Para hubs latino-americanos, o desafio deixou de ser atrair capital e passou a ser reter talento e oferecer governança comparável à de praças consolidadas. Fatores como desigualdade urbana, segurança e complexidade tributária podem limitar a ascensão mesmo de centros com ecossistemas financeiros sofisticados.
O relatório indica que a competitividade financeira é cada vez mais urbana, não nacional. Isso significa que avanços regulatórios em nível federal, como Pix e Open Finance, precisam se traduzir em infraestrutura local para melhorar a posição no ranking. A próxima edição deve refletir os impactos das tensões geopolíticas recentes, o que pode ampliar a distância entre centros com estabilidade institucional consolidada e os que ainda dependem de ciclos macroeconômicos favoráveis.
Fontes: Bloomberg Línea • GFCI 39 / Z/Yen Partners • Let’s Money