A Seapoint, plataforma de gestão financeira para startups criada por Sean Mullaney, ex-CIO europeu da Stripe, fechou uma rodada Seed de €7,5 milhões liderada pela 13books, elevando o total captado a €10 milhões desde sua fundação, em janeiro de 2025.
Captação da Seapoint: do pré-seed ao Seed
| Fase |
Valor |
Investidores líderes |
| Pré-seed (set. 2025) |
€2,5 mi |
Frontline Ventures, Tapestry VC |
| Seed (abr. 2026) |
€7,5 mi |
13books, Ventures Together, Portfolio Ventures |
Rodadas de captação da Seapoint (2025-2026). Fonte: The Next Web
Como a Seapoint integra o back office financeiro de startups
Mais da metade da equipe da Seapoint é formada por ex-funcionários da Stripe que já trabalharam juntos antes de fundar a empresa. A plataforma usa inteligência artificial para importar e conectar os sistemas bancários, de e-mail e contábeis existentes da startup em menos de 10 minutos, automatizando escrituração, relatórios, gestão de despesas e folha de pagamento. A tração inicial inclui mais de 80 clientes pagantes, 100 mil transações e 40 mil faturas processadas.
O produto é voltado a startups apoiadas por capital de risco, da fase pré-seed à Série A, no Reino Unido e na Irlanda. Além da automação operacional, a Seapoint oferece contas em múltiplas moedas, pagamentos, cartões, tesouraria com rendimento em fundos monetários e câmbio, consolidando a estrutura financeira fragmentada dessas empresas em um único ambiente. O movimento se insere num cenário em que fintechs europeias apostam em infraestrutura bancária local para ganhar escala.
A rede ex-Stripe por trás da rodada Seed
A rodada de €7,5 milhões teve como líderes a 13books, Ventures Together e Portfolio Ventures, com o retorno de Frontline Ventures e Tapestry VC, que já participaram do pré-seed. Entre os mais de 40 investidores-anjo estão Claire Hughes Johnson, ex-COO da Stripe, George Bevis, fundador da Tide, e Des Traynor, co-fundador da Intercom. O aporte coincide com a abertura do cadastro da plataforma a todos os fundadores do Reino Unido e da Irlanda pela primeira vez.
“Os fundadores têm se visto presos em uma complexa rede de bancos, neobancos, ferramentas de folha de pagamento e planilhas por tempo demais”, disse Mullaney. “A Seapoint oferece a eles uma solução financeira completa: uma conta empresarial nativa de IA com folha de pagamento, despesas, tesouraria, faturas e relatórios integrados.” O perfil dos investidores, com histórico operacional em fintechs britânicas, acompanha a tendência que startups europeias de IA enfrentam ao buscar capital e expansão.
O que observar
A proposta da Seapoint aposta em integração de sistemas existentes, não em substituição. Vale acompanhar se plataformas de gestão financeira nativas de IA conseguem converter fundadores que já operam com combinações de ferramentas consolidadas, como contadores externos e neobancos corporativos. O modelo que combina receita de tesouraria, câmbio e tarifas de conta cria incentivo para crescer junto com o saldo do cliente, o que pode se alinhar bem ao ciclo de startups apoiadas por VC.
A pergunta de médio prazo é se a concentração em UK e Irlanda, mercados com ecossistemas de startups maduros e concorrência acirrada entre plataformas de back office financeiro, vai gerar crescimento suficiente antes de uma expansão para outros mercados europeus. A escolha de investidores com trajetória operacional em fintechs britânicas e irlandesas sugere que a expansão regional é o plano, mas o prazo não está definido.
Fontes: Finextra • The Next Web • Let’s Money