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Senado aprova Otto Lobo para a presidência da CVM

Senado aprovou Otto Lobo para a CVM com 31 votos. Indicado por Lula, passou por sabatina polêmica centrada no caso Ambipar e no Banco Master.

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· 3 min

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou Otto Lobo para a presidência da CVM com 31 votos a favor e 13 contra, encerrando uma sabatina marcada de última hora que concentrou os questionamentos na decisão do indicado de dispensar a Ambipar de uma oferta pública de ações, num processo que beneficiou o Banco Master.

Votação das indicações para a CVM

Indicado Cargo CAE Plenário
Otto Lobo Presidente 19 a 4 31 a 13
Igor Muniz Diretor Aprovado 39 a 9
Uma vaga segue aberta no colegiado

Senado Federal, 20 de maio de 2026. Fonte: Valor Econômico

Sabatina apressada e o caso Ambipar como pano de fundo

A sabatina foi marcada de última hora pelo presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), que justificou a decisão com a necessidade de “aproveitar a presença dos senadores [no Congresso]” e acrescentou: “Estamos no período pré-eleitoral.” Lobo havia sido indicado por Lula em janeiro, mas o trâmite no Senado não havia avançado. Apenas quatro senadores fizeram perguntas na sessão, que contou com 18 dos 27 membros titulares da CAE e terminou sem aplausos.

O ponto central da sabatina foi a decisão de Lobo, por voto de qualidade, de dispensar a Ambipar de realizar uma oferta pública de ações após operação que resultou em aumento de participação na empresa, decisão que acabou beneficiando o Banco Master. A CVM já havia criado equipe de cúpula para avaliar o caso Master em fevereiro, enquanto o dono do Banco Master era preso pela segunda vez em março. Sobre o episódio, Lobo falou em “incompreensão muito grande” e disse que a decisão do colegiado foi unânime. “Até hoje, passados dez meses, nenhum advogado, nenhum parecerista, nenhum minoritário, nenhum grupo de interesse minoritário, se apresentou à CVM para defender essa OPA”, afirmou.

Renan, por sua vez, foi direto sobre os limites do questionamento: “Como é que a gente pode circunscrever uma acusação criminal por causa de um voto? Pelo amor de Deus, é um voto. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) pesquisou tudo. O que tem do TCU? Uma investigação que já foi fechada.”

Dinâmica política, agenda de financiamento e a vaga restante

A indicação de Lobo gerou reservas na própria Fazenda, com fontes do governo atribuindo a escolha ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre negou ser responsável e afirmou que o nome foi apresentado ao Executivo por empresários. Não houve mobilização de líderes do governo para reunir votos, e senadores do PP encabeçaram a articulação. O relator Eduardo Braga (MDB-AM) consultou integrantes do Planalto e ligou para Lula antes de publicar seu parecer, garantindo que nenhuma prova de irregularidade havia sido encontrada.

Rogério Carvalho (PT-SE) foi relator da indicação de Igor Muniz. Sobre sua agenda no cargo, Lobo defendeu foco na mudança da legislação de “financiamento” da autarquia e elogiou a liminar do ministro Flávio Dino, do STF, que destina 70% da taxa fiscalizatória aos cofres da CVM. A autarquia vinha operando com composição reduzida, e ainda há uma vaga aberta no colegiado.

O que observar

A aprovação sem mobilização do governo e com a articulação conduzida por uma bancada específica sinaliza que a composição da CVM resulta de uma negociação difusa, não de um projeto regulatório coeso. O ponto a acompanhar é a agenda de financiamento: se Lobo avançar na transferência de 70% da taxa fiscalizatória para a autarquia, a CVM ganharia capacidade operacional para ampliar a supervisão do mercado de valores mobiliários sem depender de negociação orçamentária anual.

A vaga restante no colegiado é outro vetor: o quinto membro definirá o peso das decisões por maioria simples e pode alterar o equilíbrio entre posições mais ou menos ativas em processos que envolvam operações societárias e proteção de minoritários.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money

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