Ir para o conteúdo

InadimplênciaCrédito · Crédito

Inadimplência de empresas bate recorde de 9,1 milhões

Inadimplência das empresas bateu recorde em junho de 2026: 9,1 milhões de CNPJs negativados e R$ 232,9 bilhões em dívidas, aponta a Serasa Experian.

por

· 3 min

Atualizado em

O número de empresas inadimplentes no Brasil cresceu em junho de 2026 e superou a marca de 9,1 milhões de CNPJs, maior marco da série histórica, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, o volume financeiro de dívidas negativadas chegou a R$ 232,9 bilhões. O indicador já havia registrado nível recorde em maio de 2026.

Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.515,77. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que o encerramento do primeiro semestre confirma a continuidade de um ambiente desafiador para as empresas brasileiras.

“Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas […]”, afirma.

Inadimplência das empresas em junho de 2026
Empresas inadimplentes 9,1 milhões
Volume de dívidas negativadas R$ 232,9 bilhões
Contas em atraso por CNPJ 7,3 (média)
Dívida média por empresa R$ 25.508,96
Ticket médio R$ 3.515,77

Indicador de Inadimplência das Empresas, junho de 2026. Fonte: Serasa Experian

Setores inadimplentes e perfil das dívidas

Do total de empresas negativadas em junho, 55,7% pertenciam ao setor de “Serviços”. Na sequência apareceram os segmentos de “Comércio” (32,2%), “Indústria” (8,0%) e “Primário” (0,9%). Em relação à origem das dívidas, o maior peso permaneceu com o segmento de “Serviços” (31,6%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%), Cooperativas (8,4%), Utilities (6,9%) e Telefonia (6,0%).

“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que boa parte da inadimplência empresarial continua ligada às necessidades de financiamento da própria operação. Em um ambiente de crédito restritivo, administrar essas obrigações torna-se mais complexo, especialmente para empresas que dependem de capital de giro para manter suas atividades”, explica Camila. O peso do capital de giro dialoga com o avanço da demanda por crédito empresarial registrado em 2025.

Visão regional

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em junho de 2026, com destaque para São Paulo (3.126.658), seguido por Minas Gerais (907.558) e Rio de Janeiro (874.385). Na sequência apareceram estados como Paraná (601.986) e Rio Grande do Sul (527.555). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.

Micro e pequenas seguem como maioria

Do total de empresas inadimplentes no país, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,6 milhões de CNPJs negativados em junho. O grupo concentrou 59,7 milhões de dívidas, que somaram R$ 201,4 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47. O recorte reforça o retrato de negócios de menor porte que buscam alternativas para antecipar recebíveis.

“O quadro das micro e pequenas empresas continua sendo o mais preocupante, porque estamos falando de negócios que acumulam, em média, quase sete pendências financeiras simultaneamente. Para empresas desse porte, esse volume de compromissos representa uma pressão significativa sobre o fluxo de caixa e reduz a capacidade de investimento e de crescimento […]”, conclui Camila Abdelmalack.

O que observar

O dado importa para quem vende a prazo, concede crédito ou depende de fornecedores de menor porte: com o estoque de dívidas empresariais em nível recorde, a régua de análise de risco e as políticas de cobrança tendem a pesar mais na operação. Vale acompanhar as próximas leituras mensais do indicador e o comportamento das micro e pequenas empresas, que respondem pela maior parte dos CNPJs negativados.

Fontes: Serasa ExperianSerasa Experian IndicadoresLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.