O número de negócios brasileiros negativados manteve patamar recorde em maio de 2026, com mais de 9 milhões, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, o volume de dívidas negativadas chegou a R$ 229,9 bilhões.
Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08 e ticket médio de R$ 3.515,52. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que o resultado reforça uma mudança na dinâmica da inadimplência empresarial.
“O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira”, afirma.
| Empresas negativadas | +9 milhões |
| Volume de dívidas | R$ 229,9 bilhões |
| Contas em atraso por CNPJ | 7 (média) |
| Dívida média por empresa | R$ 25.494,08 |
| Ticket médio | R$ 3.515,52 |
Indicador de Inadimplência das Empresas, maio de 2026. Fonte: Serasa Experian
Setores inadimplentes e perfil das dívidas
Do total de empresas que estavam negativadas em maio, 55,6% eram do setor de “Serviços”. Na sequência apareceram as de “Comércio” (32,3%), “Indústria” (8,1%) e do setor “Primário” (0,9%). Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com o segmento de “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%), “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (5,7%).
“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro. Em um ambiente de crédito mais restritivo, reorganizar esses passivos se torna mais difícil, o que contribui para a permanência de um estoque elevado de dívidas”, explica Camila. O peso do segmento de serviços dialoga com o cenário de demanda por crédito empresarial no país.








