Ir para o conteúdo

CréditoCrédito · Crédito

Inadimplência das empresas segue em nível recorde no país

Inadimplência das empresas manteve patamar recorde em maio de 2026: mais de 9 milhões de negativadas e R$ 229,9 bilhões em dívidas.

por

· 3 min

Atualizado em

Reprodução

O número de negócios brasileiros negativados manteve patamar recorde em maio de 2026, com mais de 9 milhões, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, o volume de dívidas negativadas chegou a R$ 229,9 bilhões.

Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08 e ticket médio de R$ 3.515,52. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que o resultado reforça uma mudança na dinâmica da inadimplência empresarial.

“O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira”, afirma.

Inadimplência das empresas em maio de 2026
Empresas negativadas +9 milhões
Volume de dívidas R$ 229,9 bilhões
Contas em atraso por CNPJ 7 (média)
Dívida média por empresa R$ 25.494,08
Ticket médio R$ 3.515,52

Indicador de Inadimplência das Empresas, maio de 2026. Fonte: Serasa Experian

Setores inadimplentes e perfil das dívidas

Do total de empresas que estavam negativadas em maio, 55,6% eram do setor de “Serviços”. Na sequência apareceram as de “Comércio” (32,3%), “Indústria” (8,1%) e do setor “Primário” (0,9%). Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com o segmento de “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%), “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (5,7%).

“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro. Em um ambiente de crédito mais restritivo, reorganizar esses passivos se torna mais difícil, o que contribui para a permanência de um estoque elevado de dívidas”, explica Camila. O peso do segmento de serviços dialoga com o cenário de demanda por crédito empresarial no país.

Visão regional

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em maio de 2026, com destaque para São Paulo (3.094.295), seguido por Minas Gerais (887.261) e Rio de Janeiro (869.138). Na sequência apareceram estados como Paraná (593.565) e Rio Grande do Sul (522.521). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões, segundo Camila Abdelmalack.

Micro e pequenas seguem como maioria

Do total de empresas inadimplidas no país, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 59 milhões de dívidas que somaram R$ 198,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.177,51 e ticket médio de R$ 3.369,41. Esse recorte reforça o retrato das PMEs em busca de capital de giro.

“O quadro das micro e pequenas empresas chama atenção porque estamos falando de negócios que, em média, acumulam quase sete pendências financeiras ao mesmo tempo. Muitas vezes, o valor individual de cada dívida pode não parecer elevado quando analisado isoladamente, mas o acúmulo desses compromissos representa uma pressão significativa sobre o caixa. Isso ajuda a explicar por que o processo de retorno à adimplência tem sido mais lento para esse grupo”, conclui a economista-chefe da datatech.

O que observar

O dado importa para quem vende a prazo, concede crédito ou depende de fornecedores de menor porte: com o passivo empresarial em nível recorde e concentrado fora do sistema financeiro, a régua de análise de risco e as políticas de cobrança tendem a pesar mais na operação. Vale acompanhar se a combinação de juros altos e atividade em desaceleração mantém lento o ritmo de regularização, sobretudo entre micro e pequenas.

Fontes: Serasa ExperianLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.