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Serasa: é cedo para dizer que inadimplência chegou ao pior

Base da Serasa tem 83,9 milhões de inadimplentes, 51% dos adultos, mas a economista-chefe diz que ainda é cedo para cravar o pior momento do ciclo.

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Metade dos adultos do país está com o nome negativado: são 83,9 milhões de brasileiros no vermelho na base da Serasa Experian, contra pouco menos de 40% dez anos atrás. E, mesmo nesse patamar, seria precipitado cravar que o fundo do poço já passou, avalia Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, em entrevista à Bloomberg Línea.

O retrato da inadimplência na base da Serasa

Indicador Valor
Inadimplentes 83,9 milhões (51% dos adultos, ante 40% há dez anos)
Saldo negativado Mais de R$ 500 bilhões
Renda até 2 salários mínimos 78% dos inadimplentes
Dívida média R$ 6 mil a R$ 7 mil (4 dívidas por pessoa)

Base de negativados da Serasa Experian. Fonte: Bloomberg Línea

Recorde que não para de ser batido

A marca vem sendo superada mês após mês desde o começo de 2025, e o total em atraso já passa de R$ 500 bilhões dentro dessa base. O rosto do problema é a baixa renda: quase oito em cada dez negativados vivem com no máximo dois pisos nacionais e 48% ficam abaixo de um. Cada devedor carrega, em média, quatro contas em aberto: a soma parte de R$ 6 mil e chega perto de R$ 7 mil. Entre as empresas o roteiro se repete, com a inadimplência de pessoas jurídicas em nível recorde apurada pelo mesmo bureau.

A cautela nasce do cruzamento de dois indicadores, na leitura da economista. “Porque hoje estamos falando de uma inadimplência recorde com uma taxa de desemprego na mínima histórica”, disse Abdelmalack no programa Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea. Uma eventual perda de fôlego do emprego, acrescentou, tenderia a apertar ainda mais o bolso das famílias.

Por que os juros não resolvem sozinhos

Para a Serasa, nem a expectativa de juros menores resolve o quadro. Com o Focus enxergando a taxa básica perto de 12% ao fim de 2027, o alívio à frente seria pequeno demais para destravar o crédito. Pesa o custo ainda alto de rolar pendências antigas, somado a orçamentos apertados em que muita gente consegue quitar só o mínimo. Sem essa folga, o estoque de dívidas cede devagar mesmo com empréstimo novo mais barato. O retrato convive com o recorde de inadimplência apurado pelo Banco Central no crédito às famílias, indicador distinto da base de negativados da Serasa.

“Ainda não é o momento de prever uma melhora nesses dados de inadimplência, não só em termos de número de brasileiros inadimplentes negativados, mas também quando a gente olha para o tamanho da dívida que eles carregam”, disse a economista-chefe da Serasa Experian.

O que observar

O ponto em aberto é se um recorde de negativados que convive com desemprego baixo pode encontrar teto sem uma melhora consistente da renda. Se o mercado de trabalho perder força antes de a curva de juros ceder, credores e bureaus de crédito podem ver o estoque de dívida crescer mesmo com a Selic em queda. Vale acompanhar se a política de juros isolada será suficiente ou se o alívio dependerá de renda e emprego.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s Money

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