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Serasa avança em seguros e mira 100 milhões de usuários como canal de distribuição

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· 4 min

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A Serasa Experian está transformando seu app de 100 milhões de usuários em canal de distribuição de seguros, mirando especialmente consumidores de menor renda e negativados que saem do ciclo de endividamento. A estratégia replica o modelo da controladora britânica Experian, que já oferece seguros nos EUA e lançou recentemente um marketplace de seguros dentro do ChatGPT.

Serasa no mercado de seguros: roadmap de implementação

Nov 2024 Aquisição da TEx (software para corretoras e seguradoras), aprovada pelo Cade
1S 2025 Lançamento de assistências automotivas e residenciais no app
2S 2025 Seguro de automóveis e motocicletas via plataforma
2026 Integração direta de corretores ao app + microsseguros de proteção de renda

Fonte: Valor Econômico e InsurTalks

Da limpeza de nome à proteção patrimonial

O movimento começou com a aquisição da TEx, empresa de software para corretoras e seguradoras, aprovada pelo Cade em novembro de 2024. A partir daí, a Serasa passou a modelar produtos para seu público. No primeiro semestre de 2025, lançou assistências automotivas e residenciais. Em seguida, avançou para seguro de automóveis e motocicletas. Os próximos passos incluem microsseguros de proteção de renda.

“A ideia é que as pessoas que conseguem limpar o nome e voltar a consumir tenham interesse em proteger o patrimônio e que alguma eventualidade não a faça voltar a ser devedora”, disse Emir Zanatto, gerente executivo de seguros da Serasa Consumidor, que presidia a TEx antes da aquisição.

Zanatto aponta que o segundo maior motivo de endividamento do brasileiro são contas de serviços básicos. “Quando alguém deixa de pagar água ou luz, em geral já está em uma situação financeira crítica. Por isso, pensamos em soluções com forte correlação com esse público, que ajudem a evitar a perda de renda”, afirmou.

A companhia trabalha agora na integração de corretores ao sistema. Produtos simples e de tíquete baixo, como “bolsa protegida”, funcionam bem no digital. Mas em ramos como automóveis, o volume de abandono de carrinho ainda é alto. “Queremos colocar esse contato nas mãos de um corretor para entender como isso pode melhorar a conversão. O corretor sabe tirar os medos, tirar as dúvidas”, disse Zanatto.

Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2022, Alex Franco, então executivo da Serasa, já antecipava essa lógica ao explicar a tese de embedded finance do birô: “É muito mais barato manter o cliente do que trazer. Embedded Finance traz esse conceito, não fique fazendo funil de aquisição várias vezes.” A movimentação atual para seguros confirma essa direção: usar a base existente como canal, em vez de disputar aquisição no mercado aberto.

Um mercado de 100 milhões de pessoas sem seguro

O timing da Serasa coincide com números expressivos. Cerca de 70% da população brasileira não possui nenhum tipo de seguro ativo, segundo a CNseg, que projeta crescimento de 8% para o setor em 2026. Na faixa de microsseguros, entre 5 e 10 milhões de pessoas das classes C, D e E pagam de R$ 2 a R$ 9 por mês por algum tipo de cobertura, mas o mercado potencial é de 100 milhões de pessoas. No primeiro semestre de 2024, prêmios de microsseguros somaram R$ 813 milhões, alta de 94% sobre o mesmo período de 2023.

A Serasa, que recentemente passou a atualizar o score de crédito em 20 segundos via Pix, tem uma vantagem de distribuição que poucas insurtechs conseguem replicar: uma base massiva de usuários que já acessam o app para consultar CPF, negociar dívidas e monitorar score. Segundo pesquisa interna, 70% dos consumidores comprariam seguros pelo app. O desafio é converter essa intenção em apólices, especialmente num público com baixa familiaridade com produtos de proteção.

O que observar

A tese da Serasa inverte a lógica tradicional de distribuição de seguros: em vez de ir ao mercado buscar clientes, usa uma base cativa de 100 milhões de usuários que já confiam na marca para resolver problemas financeiros. O teste real é de conversão. Birôs de crédito nunca operaram como canais de venda de seguros no Brasil, e a integração com corretores sugere que a jornada 100% digital ainda não se sustenta para produtos de maior complexidade. Vale acompanhar se o modelo híbrido, digital para microsseguros e intermediado para auto, consegue manter unit economics viáveis num público de tíquete médio baixo e alta sensibilidade a preço.

Fontes: Valor EconômicoInsurTalksCNseg via Sonho SeguroSeguro Nova DigitalLet’s Money PodcastLet’s Money

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