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Servidores do BC: Pix precisa ser preservado e fortalecido

Carta de 43 servidores de alto escalão do BC pede ao Senado a aprovação da PEC da autonomia e diz que o Pix precisa ser preservado e fortalecido.

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· 3 min

Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca, e outros 42 servidores em cargos de chefia na autoridade monetária enviaram uma carta aberta ao Senado Federal em apoio à PEC 65/2023, da autonomia financeira do BC. No documento, os servidores afirmam que o Pix é um patrimônio público do Estado brasileiro e uma referência tecnológica mundial que “precisa ser preservado e fortalecido”. A proposta está pautada para ser votada nesta quarta-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sob relatoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM).

O recado: sem orçamento, não há como sustentar o Pix

A carta liga diretamente o futuro do Pix à capacidade orçamentária do BC. “Para que continue a evoluir e servir à sociedade, é essencial garantir-lhe recursos humanos e orçamentários adequados de forma perene”, diz o documento enviado aos senadores. Os servidores apontam que a redução de pessoal nos últimos anos “ameaça a capacidade do Banco Central de acompanhar esse crescimento e preservar a estabilidade financeira do País”, num momento em que o aumento de instituições supervisionadas exige “uma supervisão mais ampla e rigorosa”.

Assinada por chefes de departamento e de gabinete da diretoria e da presidência, a carta defende que a proposta resolve esse gargalo. “O texto apresentado pelo relator traz as condições necessárias para enfrentar esses desafios. Ele fortalece a autonomia institucional do Banco Central, assegurando que nossa atuação permaneça técnica e voltada ao interesse público”, afirmam os servidores.

A carta dos servidores do BC em resumo

Item Dado
Signatários 43 servidores de alto escalão
À frente Rogério Lucca, secretário-executivo
Proposta PEC 65/2023, autonomia do BC
Relator Plínio Valério (PSDB-AM)
Votação CCJ do Senado, 10/jun/2026
O que institui Autonomia orçamentária, financeira, administrativa e operacional

Resumo da carta aberta dos servidores do BC ao Senado. Fonte: Valor Econômico

Por que o Pix entrou na conta

O Pix voltou aos holofotes depois que os Estados Unidos afirmaram que o BC favorece o seu sistema de pagamentos instantâneos, o que seria “injusto” com as empresas americanas do setor. A menção ao Pix na carta aparece nesse contexto: ao defender mais orçamento, os servidores enquadram o sistema como ativo estratégico que precisa de recursos perenes para seguir evoluindo. O tema já havia escalado quando os Estados Unidos acusaram o BC de conflito de interesses no Pix.

A mobilização pela PEC não é nova. Semanas antes, o ex-presidente do BC Campos Neto havia ligado a senadores pela PEC de autonomia, e o atual presidente, Gabriel Galípolo, já argumentou que a autonomia financeira poderia gerar R$ 1 trilhão ao governo. A carta dos servidores fecha o cerco às vésperas da votação: “Manifestamos nosso apoio integral à proposta do relator e defendemos sua votação imediata”, escrevem.

O que observar

O ponto central é a relação entre orçamento próprio e capacidade de supervisão. Quando uma autoridade monetária amarra a manutenção de uma infraestrutura pública de pagamentos à garantia de recursos perenes, o debate sai do campo técnico e entra no orçamentário: vale acompanhar se a votação confirma o desenho de autonomia financeira ou se ele é diluído na tramitação. O segundo eixo é o precedente de independência: dar autonomia orçamentária a um regulador muda a régua para outras autoridades que pleiteiam o mesmo. E há a questão de pessoal, citada como gargalo, num cenário de crescimento acelerado do número de instituições supervisionadas. Para o sistema financeiro, a pergunta é se a estrutura que sustenta a estabilidade e os sistemas críticos acompanha o ritmo do mercado que precisa fiscalizar.

Fontes: Valor EconômicoCNN BrasilInfoMoney

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