A Solaris, plataforma alemã de embedded finance com licença bancária completa, anunciou um pivô estratégico para se tornar o que chama de “primeiro banco AI-native da Europa”. O movimento inclui a reestruturação de 20% do quadro de 400 funcionários, com agentes de IA assumindo processos operacionais enquanto humanos ficam responsáveis por controle e governança.
SOLARIS: O PIVÔ PARA AI-NATIVE
| Dimensão |
Antes |
Agora |
| Modelo |
BaaS via APIs cloud |
Banco AI-native pan-europeu |
| Operações |
Processos manuais + automação parcial |
Agentes de IA em processos operacionais |
| Controle |
Humanos em operação e governança |
Humanos apenas em governança |
| Acionista |
Diversos VCs europeus |
SBI Group (Tóquio), majoritário desde 2025 |
Fonte: Finextra, Tech.eu
De BaaS para banco com IA no centro
A Solaris foi uma das pioneiras do modelo de Banking-as-a-Service na Europa, fundada há dez anos com a proposta de oferecer infraestrutura bancária via APIs para que empresas como ADAC e Boerse Stuttgart Group pudessem integrar serviços financeiros aos seus produtos. Agora, sob o comando do novo CEO Steffen Jentsch, que assumiu há apenas três meses, a empresa reformula o modelo operacional para que agentes de IA executem tarefas bancárias de ponta a ponta.
“Há dez anos, a Solaris foi uma das primeiras empresas na Europa a provar que banking cloud-based via APIs funciona. Hoje, estamos dando o próximo passo lógico”, disse Jentsch à Finextra. Ele destacou que o EU AI Act e a regulação DORA criam o arcabouço regulatório necessário para esse avanço. A promessa é desenvolvimento de produto mais rápido, maior escalabilidade e manutenção da integração via API existente.
O papel do SBI Group na reestruturação
O pivô acontece com respaldo do SBI Group, conglomerado financeiro japonês que se tornou acionista majoritário após liderar uma rodada Série G de 140 milhões de euros em fevereiro de 2025. Yoshitaka Kitao, CEO do SBI Holdings, descreveu a Solaris como o “bloco central europeu” da estratégia global do grupo para infraestrutura financeira digital. A licença bancária alemã dá acesso a todo o Espaço Econômico Europeu.
A reestruturação inclui corte de cerca de 80 posições, aproximadamente 20% da equipe. O movimento ecoa uma tendência: bancos europeus como o BBVA, que já usa assistentes de IA para aumentar produtividade, e iniciativas de BaaS com IA como a Aarin, que lançou integração por linguagem natural.
O que observar
A expressão “AI-native” carrega ambiguidade. Se significa que agentes de IA executam operações bancárias reais, com humanos apenas na supervisão, o modelo exige validação regulatória granular: compliance, KYC, análise de crédito e monitoramento de fraude operam sob regras que pressupõem responsabilidade humana direta. O EU AI Act classifica aplicações financeiras como alto risco, o que impõe documentação, auditabilidade e supervisão humana significativa.
O teste prático será se a Solaris consegue escalar o modelo AI-native sem que os reguladores alemão e europeu freiem a execução. Para o ecossistema BaaS global, incluindo operações no Brasil que operam sob arranjo similar, o caso Solaris pode definir se “banco AI-native” é uma categoria real de produto ou uma reembalagem de automação incremental com linguagem de marketing atualizada.
Fontes: Finextra • Tech.eu • PYMNTS • Let’s Money