A dona do PlayStation prepara a própria moeda digital. O Sony Bank, braço financeiro do grupo japonês, recebeu aprovação condicional do regulador dos Estados Unidos para criar uma subsidiária que vai emitir uma stablecoin em dólar. A Connectia Trust nasce com US$ 40 milhões em capital e só deve operar em 2027, após o aval final da autoridade americana.
O plano de stablecoin do Sony Bank
| Item |
Detalhe |
| Subsidiária |
Connectia Trust |
| Capital |
US$ 40 milhões |
| Status |
Aprovação condicional da OCC |
| Início previsto |
2027, após o aval final |
| Parceiro de infraestrutura |
Bastion |
| Uso pretendido |
Pagar conteúdo Sony (games e filmes) |
Plano de stablecoin do Sony Bank, ainda sujeito à aprovação final. Fonte: Finextra
O que a Sony quer com uma stablecoin em dólar
A nova empresa, com sede em Nova York, vai emitir e administrar uma moeda digital lastreada em dólar. Para tocar a operação, o Sony Bank fechou parceria com a Bastion, provedora de infraestrutura regulada para stablecoins, e planeja constituir a subsidiária ainda neste mês.
O plano tem um destino claro dentro do próprio grupo. Desde dezembro de 2025, o banco sinaliza que a moeda poderá ser usada para pagar conteúdo da Sony, como games e filmes, sem depender de cartão de crédito. Ainda assim, nada acontece antes do sinal verde final. “Até que todas as aprovações e demais autorizações, incluindo a aprovação final da OCC, sejam obtidas, nenhuma atividade de negócio, incluindo a emissão de stablecoins, será conduzida”, afirmou a Sony em comunicado (em tradução livre).
A corrida por bancos de stablecoin nos EUA
A Sony chega a um terreno cada vez mais disputado. Nos últimos meses, outras empresas de pagamentos e cripto, como a Bridge (do grupo Stripe), a Paxos e a Circle, também conquistaram aprovações condicionais do mesmo regulador para estruturas de trust bank ligadas a stablecoins. É a mesma autoridade que recentemente deu aval ao Santander para fechar a compra de um banco americano.
Bancos tradicionais também entraram na dança: o Standard Chartered se tornou o primeiro banco global a bancar a emissão e o resgate da USDC. No Brasil, o movimento tem paralelo regulatório: o Banco Central defende tratar a stablecoin de pagamento como moeda, sinal de que o debate sobre moedas digitais privadas atravessou de vez a fronteira entre cripto e sistema financeiro.
O que observar
O ponto de atenção está no formato escolhido: um banco fiduciário regulado, criado do zero, em vez de uma parceria com emissor já existente. Vale acompanhar se grupos de consumo com grandes bases de usuários vão preferir controlar a própria infraestrutura de moeda digital, em vez de terceirizá-la. Se isso se confirmar, a disputa deixa de ser só entre fintechs e emissores especializados e passa a incluir plataformas de entretenimento e varejo com escala global.
A pergunta seguinte é regulatória. Com os reguladores dos Estados Unidos concedendo aprovações condicionais em série, o teste será quantos desses projetos chegam à operação plena e em que prazo. Para o mercado brasileiro, o ponto a observar é como a discussão sobre stablecoins de pagamento evolui por aqui, à medida que o tema ganha tração entre autoridades e grandes emissores lá fora.
Fontes: Finextra • CoinDesk • Let’s Money • Let’s Money