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Stablecoin vira meio de pagamento e cartão cripto dispara

Volume com cartões cripto cresce 48,6% em 2026 e passa de US$ 747 milhões em maio, o dobro do ritmo da oferta de stablecoins, aponta a Binance Research.

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Shutterstock

O volume de pagamentos com cartões de criptomoedas cresceu 48,6% no acumulado de 2026 até maio e ultrapassou US$ 747 milhões somente no mês, aponta relatório da Binance Research. O ritmo é cerca de duas vezes maior que o avanço da oferta de stablecoins, sinal de que esses ativos assumem função de instrumento de pagamento no varejo.

Cartões cripto em maio de 2026

Indicador Dado
Volume mensal com cartões cripto Acima de US$ 747 milhões
Crescimento no acumulado de 2026 48,6%
Ethereum 53% da oferta de stablecoins, 12% do volume de cartões
Ativos reais tokenizados (RWA) +589% do início de 2025 a junho de 2026

Dados do relatório mensal de junho de 2026 da Binance Research. Fonte: Binance Research

Cartões viram canal de crescimento das stablecoins

O volume acumulado com cartões cripto em 2026 se aproxima de US$ 8 bilhões, segundo o Valor. No mesmo período, a oferta de stablecoins cresceu 3,2%, de cerca de US$ 311 bilhões para US$ 321 bilhões. “Os gastos vinculados a cartões estão crescendo em ritmo aproximadamente duas vezes maior que a oferta subjacente, indicando que as stablecoins estão funcionando cada vez mais como instrumento de pagamento, e não apenas como garantia ou reserva de valor”, afirma o relatório.

Para a casa de análise, os cartões, mais do que as transferências diretas em blockchain, aparecem como um dos principais canais de crescimento para o uso de stablecoins no varejo. O dado dialoga com a corrida recente de emissores e bandeiras: a Revolut lançou um cartão físico de cripto em maio, e a Mastercard ligou a liquidação 24/7 com stablecoin regulada no início de junho.

Liquidação se descola do Ethereum

O estudo registra ainda uma mudança na distribuição do volume entre redes blockchain. O Ethereum concentrava 53% da oferta de stablecoins, mas respondia por 12% do volume mensal de transações com cartões cripto em maio. BNB Chain e Solana apareciam com fatias de 14% e 12%, respectivamente. Para a Binance Research, a camada de liquidação dos cartões está desenvolvendo “sua própria estrutura de mercado”, nem sempre alinhada à rede que concentra a maior liquidez em stablecoins.

O avanço dos pagamentos ocorreu em um mês de correção: a capitalização total do mercado cripto caiu 3,3%, para US$ 2,55 trilhões, pressionada pela alta dos juros reais e pela piora das expectativas de inflação nos Estados Unidos. Na outra ponta, os ativos reais tokenizados cresceram cerca de 589% desde o início de 2025, com títulos e fundos de mercado monetário adicionando US$ 6,5 bilhões no período. “2026 marca o amadurecimento da tokenização de ativos reais, de uma narrativa dominada por títulos do Tesouro para um ecossistema diversificado de rendimento”, afirma a Binance Research. No Brasil, o segmento começa a alcançar nichos, caso da fintech Rise, que estreou em RWA com token de instrumentos musicais.

O que observar

Se os cartões seguem crescendo duas vezes mais rápido que a oferta de stablecoins, a pergunta é quem captura essa transação. Bandeiras, emissores e exchanges passam a disputar a camada onde a liquidação acontece, e a escolha da rede vira decisão comercial, não apenas técnica. Vale acompanhar se a concentração do volume em redes de custo menor pressiona as taxas cobradas dos detentores e se o cartão se consolida como porta de entrada das stablecoins no varejo.

No Brasil, onde o Pix domina o varejo digital, o espaço natural desses cartões tende a ser o gasto dolarizado e as compras internacionais. O teste será se os dados de junho confirmam o ritmo em um mercado em correção, e se a expansão dos ativos tokenizados sustenta a tese de diversificação de rendimento apontada pelo relatório.

Fontes: Valor EconômicoBinance Research

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