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Stablecoins saltam de 5% para 84% no uso corporativo

Relatório da Iporanga mostra uso institucional de stablecoins saltando de 5% a 84% na LatAm em 2025, com US$ 4,8 bi em câmbio corporativo.

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Shutterstock

O uso institucional de stablecoins pegadas a moedas locais saltou de 5% em 2024 para 84% do volume em 2025 na América Latina, segundo o LATAM Stablecoins Report da Iporanga Ventures em parceria com Jeeves, Stark Bank e Solana Foundation. O relatório aponta US$ 4,8 bilhões movimentados em stablecoins locais na região no ano, com mais de 90% do volume ligado a operações de câmbio on-chain. A virada coincide com o novo marco regulatório do Banco Central, que entra em vigor em 2 de fevereiro de 2026.

Stablecoins locais na América Latina em 2025

Indicador Dado
Volume total LatAm (2025) US$ 4,8 bilhões
Uso institucional 84% (era 5% em 2024)
Uso profissional 12%
Uso varejo 4%
Swaps em câmbio on-chain mais de 90% do volume
Moedas mapeadas Real, Peso Mexicano e Peso Colombiano

Dados do LATAM Stablecoins Report 2025. Fonte: Startups.com.br

Uso corporativo dispara em câmbio e pagamentos

O volume de stablecoins em real saltou de cerca de US$ 1 bilhão em 2024 para mais de US$ 4 bilhões em 2025, superando R$ 20 bilhões em transações. Renato Valente, sócio da Iporanga Ventures, afirmou que “a maior diferença foi a entrada de empresas usando stablecoins para resolver problemas de câmbio de forma mais rápida, barata e disponível 24 por 7”. A tese de adoção institucional repete o padrão visto em bancos que adotam plataformas de liquidação em stablecoin.

Em episódio recente do podcast Let’s Money em 2026, um operador de empresa global de transferências internacionais detalhou a arquitetura que virou padrão para pagamentos cross-border com stablecoin: fiat local convertido em USDC nos Estados Unidos, enviado on-chain para o destino, reconvertido em moeda local na ponta. “Chegou 10 horas da noite, 11 horas da noite, meia-noite, 4 horas da manhã, cara, consigo liberar meio que instantaneamente, porque a gente consegue fazer esse pagamento rápido e ágil, e é 24×7”, afirmou o convidado. O episódio relata pagamento para destino mais distante saindo em no máximo uma hora, ante 4 a 7 dias no sistema tradicional.

O que muda com o marco regulatório do BC

O regime de autorização do Banco Central para prestadores de serviços de ativos virtuais entra em vigor em 2 de fevereiro de 2026. As empresas precisarão cumprir requisitos de prevenção à lavagem de dinheiro, transparência, governança e capital mínimo que vai de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, dependendo do tipo de atividade. O marco também classifica operações cambiais com stablecoin como câmbio para fins tributários, mas o tema segue em discussão no Ministério da Fazenda, que recentemente engavetou a proposta de alíquota de IOF sobre cripto como câmbio.

Valente diz que “a clareza regulatória destrava o mercado. Depois, os ajustes vêm”. A leitura é que o volume institucional cresce na medida em que bancos, corretoras e fintechs ganham segurança jurídica para operar stablecoins em serviços corporativos, sobretudo câmbio B2B, tesouraria e pagamentos internacionais.

O que observar

O próximo capítulo vai depender de três frentes. Primeiro, como prestadores de serviços de ativos virtuais vão se adaptar aos requisitos de capital mínimo e estrutura de governança exigidos pela regulação do BC. Segundo, se o mercado de stablecoins em reais vai convergir para dois ou três emissores dominantes ou se manter fragmentado entre várias iniciativas. Terceiro, como o BC e a Receita Federal vão tratar a tributação definitiva das operações de câmbio on-chain, especialmente em fluxos de comércio exterior e remessas.

A disputa entre infraestrutura cripto e sistema bancário tradicional em câmbio corporativo está no início. A vantagem de velocidade e custo é estrutural, mas o regime prudencial pode reequilibrar o jogo quando grandes bancos entrarem no mercado com licenças completas.

Fontes: Valor EconômicoStartups.com.brIporanga VenturesTimes BrasilAnbimaLet’s Money Podcast: How Stablecoins Accelerate Global Transfers

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