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SumUp vira financeira no Brasil com aval do Banco Central

Banco Central decidiu a mudança do objeto social do braço de crédito da SumUp, publicada no Diário Oficial em 25 de agosto. Fintech anuncia nova CEO no país.

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O braço de crédito da SumUp virou financeira no Brasil. O Banco Central decidiu em 14 de agosto de 2026 a mudança do objeto social da instituição, e o aviso foi publicado no Diário Oficial da União em 25 de agosto. A companhia também anunciou nova CEO para a operação no país.

Da sociedade de crédito direto à financeira

O aviso do Departamento de Organização do Sistema Financeiro trata do processo 289941, em nome da Sumup Sociedade de Crédito Direto S.A. A instituição deixa de ser uma sociedade de crédito direto (SCD) e passa a figurar como sociedade de crédito, financiamento e investimento, a categoria que o mercado chama de financeira, ou SCFI. Junto veio a nova razão social, SumUp Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento S.A., deliberada em assembleias gerais extraordinárias de 12 de junho de 2025 e 13 de fevereiro de 2026.

A definição da categoria que fica para trás está no artigo 3º da Resolução 4.656, de 2018: a SCD empresta, financia e compra direitos creditórios apenas por plataforma eletrônica e “com utilização de recursos financeiros que tenham como única origem capital próprio”. Já a Resolução 5.237, de 2025, que rege a categoria de destino, lista entre as fontes de recursos da financeira, além dos próprios, emissões como certificados de depósitos bancários, letras financeiras e letras de câmbio. O mesmo caminho já foi percorrido por outra fintech de pagamentos: em janeiro de 2026 o regulador autorizou a Asaas a operar como financeira.

A empresa também mexeu no comando da operação brasileira. Mariana Lazaro, até então CFO da SumUp para as Américas, foi anunciada como nova CEO no país, segundo o Valor Econômico. Nascida na Alemanha em 2012, a companhia chegou ao mercado brasileiro no ano seguinte, atendendo empreendedores de micro, pequeno e médio porte, e prepara um IPO na Europa. Na Alemanha, também lançou no app uma opção para o lojista aplicar o saldo.

A antecipação de recebíveis roda em fundos

As captações da SumUp em fundos de recebíveis

Quando Operação
Maio de 2021 Primeira captação, de R$ 300 milhões, lastreada em recebíveis de cartão
Novembro de 2021 FIDC Brasil Microcrédito de Impacto Social, com o BNDES, de até R$ 230 milhões
Maio de 2022 FIDC Solo, de R$ 200 milhões
Dezembro de 2023 R$ 500 milhões na segunda série do FIDC I
2025 Cinco captações, que somaram R$ 1,75 bilhão no ano

Histórico de captações informado pela empresa. Fonte: SumUp

A antecipação de recebíveis da fintech no país é bancada por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Em comunicado de dezembro de 2025, a empresa informou ter captado R$ 1,75 bilhão em FIDCs naquele ano, em cinco operações lastreadas em recebíveis de cartão de crédito dos próprios clientes. A série começou em maio de 2021, com R$ 300 milhões.

“O valor bilionário que captamos neste ano permitiu à SumUp atingir uma base mais ampla de investidores, o que consolida a nossa credibilidade e fortalece a estratégia de negócios da companhia no Brasil”, afirmou Mariana Lazaro no mesmo comunicado. A exceção na lista é o fundo montado com o BNDES em novembro de 2021, destinado à oferta de empréstimos a empreendedores.

O que observar

Mudança de licença é enquadramento regulatório, e o efeito prático depende de como cada instituição usa o espaço novo. Vale acompanhar se as fintechs de pagamento que migram da sociedade de crédito direto para a categoria de financeira passam a depender menos de fundos de recebíveis para bancar antecipação, e em quanto tempo isso apareceria na estrutura de funding delas.

A pergunta seguinte é se a fila de pedidos no regulador segue nessa direção ao longo do ano.

Fontes: Valor EconômicoDiário Oficial da UniãoConselho Monetário NacionalBanco Central do BrasilSumUpLet’s Money Podcast

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