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Creditas alerta: Desenrola é a hora de trocar dívida cara

A segunda fase do Desenrola reacende o debate sobre o superendividamento passivo: quem tem contas em dia, mas compromete até metade da renda com juros.

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· 3 min

Atualizado em

Imagem: Reprodução/Creditas

A segunda fase do programa Desenrola Brasil avança com foco na digitalização e na facilitação do acesso às renegociações para milhões de brasileiros. Mas o debate sobre o endividamento no país ganha um novo contorno, que vai além de limpar o nome de quem já está negativado.

Especialistas apontam para uma parcela expressiva, e muitas vezes invisível, da população: os consumidores que estão com as contas em dia, mas vivem no limite do estrangulamento financeiro. É o fenômeno do “superendividamento passivo”: pessoas que mantêm o CPF limpo, mas comprometem entre 40% e 50% da renda mensal apenas para cobrir juros e parcelas de empréstimos sem garantia ou do rotativo do cartão de crédito.

Como as modalidades se comparam, segundo a Creditas

Modalidade Característica
Rotativo do cartão e cheque especial Taxas acima de 21% ao mês, sem garantia
Crédito com garantia (casa, carro ou salário) Menor risco de inadimplência, parcelas menores
Superendividamento passivo 40% a 50% da renda comprometida com juros e parcelas

Modalidades de crédito segundo a Creditas. Fonte: Creditas

O que é o superendividamento passivo

Para Guilherme Casagrande, especialista em educação financeira da Creditas, principal fintech de crédito com garantia da América Latina, a nova fase do programa federal é o momento ideal para o consumidor fazer uma escolha estratégica e eficiente.

“Estar com as contas em dia é um excelente sinal de disciplina, mas não significa necessariamente que o consumidor está em uma situação financeira eficiente. Muitas vezes a pessoa está honrando um crédito contratado sob condições desvantajosas, geralmente por falta de conhecimento na hora da contratação”, explica Casagrande.

A estratégia da troca: por que migrar a dívida

Segundo o especialista, a troca de uma dívida cara por uma linha estruturada e de longo prazo deve ser vista como uma decisão de planejamento familiar. Ao migrar para modalidades de crédito com garantia, seja usando a casa (home equity), o carro (auto equity) ou o próprio salário (consignado privado), o cliente gera economia real imediatamente.

“Se o cliente tem a oportunidade de usar seus próprios ativos para reduzir o valor da parcela mantendo o saldo devedor, ele gera economia real. É um dinheiro que deixa de ir para os juros e volta para o orçamento da família, podendo ser usado para consumo, investimentos ou formação de patrimônio”, pontua o executivo.

A lógica por trás das taxas mais baratas é simples: o risco dita o preço no mercado financeiro. Taxas que ultrapassam 21% ao mês são típicas de modalidades emergenciais e sem lastro, como o rotativo do cartão e o cheque especial. “Quando o consumidor traz um bem para a mesa de negociação, o risco de inadimplência para a instituição cai drasticamente. Menos risco para o banco se traduz diretamente em taxas de juros muito menores para o cliente”, diz Casagrande.

O papel da portabilidade

Longe de representar um atrito no sistema financeiro, esse movimento de migração de dívidas faz parte de uma dinâmica de concorrência e gestão de risco do mercado. Para instituições e fintechs, o cliente que mantém as contas em dia é disputado, e o mercado busca oferecer incentivos para atraí-lo. A transição ocorre de forma estruturada, principalmente por mecanismos regulados como a portabilidade de crédito ou o refinanciamento, em que uma nova instituição assume a operação sob condições mais adequadas ao perfil do cliente.

“Trata-se de uma relação colaborativa, onde o consumidor encontra o alívio que precisava para equilibrar seu orçamento e a instituição de destino ganha um cliente com excelente histórico de pagamento. É um fluxo que demonstra a maturidade do nosso sistema financeiro”, afirma o especialista.

O que observar

Para quem está com o nome limpo, mas sente o orçamento apertado, o ponto prático é comparar o custo total das dívidas atuais com o de uma linha com garantia antes de decidir migrar. Vale para famílias que comprometem boa parte da renda com rotativo e cheque especial, e para quem cogita portabilidade ou refinanciamento. A janela da segunda fase do Desenrola concentra ofertas de renegociação, o que torna o momento oportuno para colocar as contas na mesa e simular alternativas.

Fontes: Ministério da FazendaCreditasLet’s Money

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