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Susep apura 1ª liquidação de seguradora em 10 anos

Susep abriu comissão de inquérito com prazo de 120 dias para apurar responsabilidades de gestores, controladores e auditores na queda da Infinite.

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A Susep abriu uma comissão de inquérito para apurar por que a Infinite chegou à liquidação e se administradores, controladores e auditores têm responsabilidade no caso. É o desdobramento da primeira liquidação extrajudicial de uma seguradora em dez anos no Brasil. A comissão tem 120 dias para concluir os trabalhos.

Os números da Infinite antes da liquidação

Indicador Dado
Prêmios emitidos R$ 2,07 mi (2024) para R$ 25,74 mi (2025) e R$ 11,87 mi (2026)
Alta em riscos financeiros (2024 a 2025) +1.404%
Concentração em riscos financeiros 91,2% (2024) para 98,93% (2026)
Apólices fora das regras 740 de cerca de 1 mil emitidas
Sinistralidade consolidada 42,99%

Produção da Infinite entre 2024 e 2026, segundo dados enviados à Susep. Fonte: Valor Econômico

O que a Susep quer descobrir

Segundo portaria publicada na quarta-feira no Diário Oficial da União, a comissão vai investigar as causas da liquidação e apontar eventuais responsáveis. “Os integrantes da comissão de inquérito também deverão apurar eventuais responsabilidades dos administradores da companhia, assim como dos controladores e os membros dos demais órgãos estatutários e das pessoas naturais ou jurídicas prestadoras de serviços de auditoria independente”, diz o texto. O prazo para concluir a apuração é de 120 dias.

A liquidação foi decretada em maio, depois que a fiscalização identificou grave deterioração econômico-financeira, insuficiência patrimonial e falhas na estrutura de gestão de riscos. Antes disso, a autarquia diz ter aplicado restrições operacionais, exigido recomposição de capital e suspendido a venda de produtos, sem reverter o quadro. Em março de 2026, já havia suspendido parte das operações após apurar que a seguradora aceitou riscos fora das regiões permitidas e em montantes acima do teto, sem a cobertura de resseguro necessária. Esse ponto é sensível: no seguro garantia, a validade da apólice depende diretamente da solidez da seguradora e do repasse de risco via resseguro.

O crescimento acelerado antes da queda

Criada em Goiás em abril de 2023, a Infinite foi autorizada em novembro daquele ano a vender seguros em quase todo o país, com exceção de São Paulo, Rio de Janeiro e Região Sul. A operação cresceu rápido e concentrada: os prêmios de riscos financeiros, linha que inclui o seguro garantia, saltaram 1.404% entre 2024 e 2025. Das cerca de mil apólices emitidas, apenas 275 estavam dentro das regras, e 740 precisavam de regularização por terem sido emitidas fora da área autorizada ou acima do limite permitido.

O caso não é isolado na régua do regulador. Depois de decretar a liquidação, a Susep avisou o mercado de seguro garantia que quem não seguir as regras não fica. Ao mesmo tempo, a autarquia opera sob pressão: recentemente ela própria alertou para uma escassez de servidores na fiscalização. A Susep afirma que o episódio não representa risco sistêmico e que o mercado segurador brasileiro segue capaz de absorver a substituição das garantias afetadas.

O que observar

O ponto central é o crescimento rápido e concentrado em uma única linha. Quando uma seguradora de menor porte multiplica o volume de garantias em poucos anos com quase toda a carteira apoiada em um só produto, o risco de descasamento entre o que foi vendido e a capacidade de honrar cresce junto. Vale acompanhar se o supervisor passa a olhar com mais atenção para seguradoras de nicho com essa curva de expansão, e se novos limites de retenção e exigências de resseguro entram no radar.

O segundo fio a puxar é o papel dos auditores independentes, incluídos explicitamente no escopo da apuração. Se a comissão concluir que houve falha na sinalização dos problemas contábeis antes do colapso, a discussão tende a migrar para a responsabilidade de quem assina os balanços, e não só de quem administra. A pergunta prática é se um inquérito de 120 dias, conduzido por um supervisor que reclama de falta de gente, consegue mapear a cadeia inteira de responsabilidades no prazo.

Fontes: Valor EconômicoSusepCQCSLet’s Money

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