A Swile conquistou o Selo B no mesmo momento em que atingiu 1 milhão de usuários no Brasil, combinando dois marcos que posicionam a empresa francesa de benefícios corporativos no cruzamento entre escala e impacto. A certificação, concedida pela B Lab a negócios com alto padrão socioambiental, levou quatro anos para ser obtida e coloca a Swile como a primeira operadora de benefícios no país com o selo.
Novas regras do PAT: o que muda
| Regra |
Antes |
Depois |
| MDR (taxa ao restaurante) |
~7% (até 12%) |
Máximo 3,6% |
| Modelo de arranjo |
Fechado (rede exclusiva) |
Aberto (interoperabilidade) |
| Rede credenciada |
743 mil estabelecimentos |
1,82 milhão (projeção) |
| Prazo de repasse |
Até 30+ dias |
Máximo 15 dias úteis |
Fonte: InvestNews
PAT redesenha a competição
O mercado de benefícios corporativos no Brasil movimenta R$ 150 bilhões por ano e atende 21,5 milhões de trabalhadores. As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em vigor desde fevereiro de 2026, obrigam todas as operadoras a migrar para o arranjo aberto e limitam a taxa cobrada dos estabelecimentos a 3,6%, derrubando uma prática que chegava a 12% entre as incumbentes. Arranjos com mais de 500 mil trabalhadores precisam completar a interoperabilidade até 10 de maio.
A Swile já operava em arranjo aberto desde a chegada ao Brasil em 2021 e afirma nunca ter cobrado taxas no patamar das incumbentes. A operação brasileira atingiu breakeven em novembro de 2024, dois anos antes do previsto, e cresceu 40% em receita entre 2024 e 2025. A empresa planeja investir R$ 600 milhões no Brasil em cinco anos, com meta de tornar o país sua principal operação global até 2030.
Cartões de PVC viram cadernos e crachás
Além da certificação, a Swile estruturou um programa de reciclagem de cartões em parceria com a Papa Cartão, empresa de Salto (SP) que já reciclou mais de 8 milhões de cartões no Brasil. O processo separa PVC e chip metálico, materiais que contaminam a cadeia de reciclagem convencional quando descartados junto ao lixo reciclável comum. O plástico é triturado e transformado em produtos como cadernos e crachás reutilizáveis. O programa saiu de um piloto com 1.300 cartões e conta com 6.000 em processo de reciclagem.
A pressão ESG da cadeia corporativa acelerou. As demandas de clientes sobre práticas de sustentabilidade cresceram 110% de 2024 para 2025, e o tema virou cláusula contratual. “Acabou virando uma perspectiva de risco dos negócios”, disse Gabriela Crego, líder de ESG da Swile Brasil. Um cliente chegou a exigir que 80% dos fornecedores tivessem alguma certificação. A Caju, concorrente direta, já emite cartões em PVC 100% reciclado em parceria com a Thales, reduzindo o consumo de PVC virgem em até 85%.
O que observar
O Selo B é um diferencial de posicionamento num mercado onde as novas entrantes disputam cada ponto de diferenciação contra incumbentes que ainda detêm cerca de 80% do volume. A certificação pode pesar em processos de contratação corporativa onde ESG virou critério eliminatório, especialmente entre multinacionais. O teste é se o selo se traduz em vantagem comercial mensurável ou se permanece como atributo de marca sem impacto direto na conversão de clientes.
A migração forçada para o arranjo aberto até maio de 2026 pressiona operadoras que construíram suas redes credenciadas como principal vantagem competitiva. Com a interoperabilidade, o diferencial deixa de ser a quantidade de estabelecimentos aceitos e passa a ser experiência do usuário, produto e, potencialmente, impacto socioambiental. Vale acompanhar se o programa de reciclagem escala para além de 6.000 cartões e se outras operadoras respondem com iniciativas similares.
Fontes: Exame • Bloomberg Línea • InvestNews • TI Inside • Exame (Swile planos 2026)