A Tabby, fintech de buy now, pay later sediada em Riade, captou US$ 233 milhões em uma rodada de equity que a avaliou em US$ 6,5 bilhões. A empresa quer usar o capital para ir além do parcelamento e virar uma plataforma de crédito e gestão de dinheiro no Golfo.
Tabby em números
| Métrica |
Valor |
| Rodada |
US$ 233 milhões (equity) |
| Valuation |
US$ 6,5 bilhões |
| Líder da rodada |
Blue Pool Capital |
| Volume anualizado |
US$ 18 bilhões+ |
| Usuários registrados |
25 milhões |
| Estabelecimentos |
70 mil |
Rodada da Tabby, setembro de 2026. Fonte: Arab News
Quem investiu e para onde vai o dinheiro
A rodada foi liderada pela Blue Pool Capital, gestora de Hong Kong, com participação de acionistas já presentes na empresa, entre eles HSG, Wellington Management e Arbor Ventures. A trajetória de aportes coloca a Tabby ao lado de outras casas do setor que atraíram capital estrangeiro forte, como a mexicana Kapital, que também captou capital estrangeiro neste ano.
Com o novo caixa, a companhia pretende ir além do parcelamento rumo a um conjunto mais amplo de serviços financeiros. “Começamos com um botão no checkout online para ajudar as pessoas a diluir custos ao longo do tempo. Tudo desde então, cada produto e cada licença, voltou à mesma ideia: as pessoas merecem mais do seu dinheiro”, disse Hosam Arab, CEO e cofundador da Tabby.
Base instalada e nova licença
Fundada em 2019 nos Emirados Árabes, a Tabby mudou a sede para a Arábia Saudita em 2023 e, no mesmo ano, tornou-se o primeiro unicórnio da região do Oriente Médio e Norte da África, ao alcançar valuation de US$ 1,5 bilhão. A empresa atua na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, é lucrativa desde 2023 e movimenta mais de US$ 18 bilhões em volume de transações anualizado. São 25 milhões de usuários registrados e parcerias com 70 mil estabelecimentos, uma escala que sustenta a ambição de sair do parcelamento no varejo para serviços financeiros completos.
A expansão vem apoiada em regulação. O banco central saudita, o SAMA, concedeu à empresa licenças de financiamento a consumidores e a pequenas e médias empresas, o que abre espaço para crédito de tíquete maior e prazo mais longo. A Tabby também adquiriu a Tweeq, carteira digital licenciada pelo SAMA, para ganhar capacidades de conta, cartão e transferência. O movimento ecoa a onda regulatória que empurra o BNPL para dentro do sistema de crédito formal, tendência que o Reino Unido passou a regular exigindo análise de crédito.
O que observar
Quando uma fintech de parcelamento vira plataforma de crédito e conta, o desafio deixa de ser adesão e passa a ser risco: inadimplência, funding e margem sobre um livro de crédito maior. A questão é se a licença bancária local e uma carteira digital adquirida bastam para competir com bancos incumbentes, ou se a régua regulatória sobre o setor vai comprimir a rentabilidade antes que a nova plataforma amadureça.
Fontes: Finextra • Arab News • Fintech Global • AGBI