Ir para o conteúdo

PagamentosInternacional · Banco Central

Tesouro dos EUA sonda integração com o Pix

Em audiência do USTR, o Tesouro dos EUA perguntou como se beneficiar de uma integração com o Pix, e brasileiros sugeriram uma ponte com o FedNow.

por

· 3 min

Atualizado em

O Tesouro dos EUA aproveitou a primeira audiência pública do USTR sobre comércio digital brasileiro, nesta segunda-feira (6), para levantar uma hipótese pouco esperada: uma futura integração com o Pix, e o ganho que os americanos teriam com ela. A pergunta veio de uma funcionária do Tesouro americano, no único painel dedicado à rede de pagamentos instantâneos do Banco Central.

A audiência do USTR sobre o Pix

Ponto O que ocorreu
Painéis sobre o Pix 1 de 7, em dois dias de debates
Defesa brasileira Gustavo Pessoa (FGV) e Vinícius Nunes Pinto
Pergunta do Tesouro dos EUA Que ganho o país teria ao integrar-se ao Pix
Sugestão brasileira Ligar o Pix ao FedNow

Depoimentos na audiência pública do USTR, em 6 de julho de 2026. Fonte: Valor Econômico

Como o Pix chegou ao painel do USTR

De sete painéis realizados em dois dias, só um tratou da rede operada pelo Banco Central. A defesa ficou a cargo do professor da FGV Gustavo Pessoa, que viajou a Washington para depor, ao lado do executivo Vinícius Nunes Pinto, com passagem pela indústria de pagamentos. O pano de fundo é a investigação aberta no mês passado, quando o USTR alegou que as regras brasileiras favorecem o sistema público em detrimento de empresas americanas de pagamento e considerou injusto o tratamento reservado ao Pix.

Pessoa descreveu um clima “razoável e aberto”, em que as divergências apareciam dentro de cada painel. Ao rebater a acusação de concorrência desleal, ele lembrou que o número de cartões de crédito emitidos no país dobrou após a chegada do Pix, efeito da inclusão financeira, e que uma das maiores carteiras digitais do mercado já é a principal iniciadora de transações no sistema. Pinto resumiu que, para ele, o Pix “destravou uma nova fase” no país, e disse ter evitado o assunto das tarifas para se ater a argumentos técnicos.

Como surgiu a proposta de integração com o Pix

A resposta à pergunta do Tesouro girou em torno de aproximar os dois países pela infraestrutura. Pinto sugeriu conectar o Pix ao FedNow, a rede instantânea que o Federal Reserve vem desenvolvendo. “Eles são parecidos, baseados na mesma tecnologia, no mesmo padrão de mensageria, então existe a possibilidade de criar pontes entre os dois, fortalecendo ainda mais o comércio entre os dois países”, disse o executivo.

A ideia encontra terreno do outro lado. O Fed já estuda abrir o FedNow para pagamentos transfronteiriços com intermediários, e a rede americana lançou uma camada antifraude mirando pagamentos globais. Pessoa admitiu que o brasileiro não é o instantâneo de maior volume no planeta, já que o número da Índia “é quatro vezes maior”, mas defendeu o caso local como o de maior aderência entre pessoas e negócios. Para a ONG americana Public Citizen, que também depôs, o Pix seria “uma infraestrutura pública digital”, não um serviço comercial privado, afirmou a representante Melinda St Louis.

O que observar

A pergunta sobre integração desloca o eixo do debate, da queixa concorrencial para uma eventual cooperação técnica entre infraestruturas públicas de pagamento. Vale acompanhar se a aproximação entre sistemas instantâneos ganha tração ou se esbarra na agenda tarifária, que corre em paralelo com prazo próprio. O ponto sensível é operacional: interligar dois sistemas exige alinhar padrões de mensageria, regras de compliance e supervisão em duas jurisdições, algo que costuma levar mais tempo do que a janela política. Para instituições de pagamento que operam nos dois mercados, a pergunta que fica é quanta infraestrutura precisaria ser adaptada caso uma ponte saia do campo das hipóteses.

Fontes: Valor EconômicoUSTRLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.