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CibersegurançaIA · Anthropic

Fed convoca bancos para testar IA da Anthropic

Tesouro dos EUA e Fed reuniram CEOs de JPMorgan, Goldman, Citi, BofA, Morgan Stanley e Wells Fargo para recomendar o Mythos, novo modelo da Anthropic, em ciberdefesa.

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Foto: Sutterstock

O Tesouro dos Estados Unidos e o Federal Reserve reuniram em Washington os CEOs dos maiores bancos comerciais americanos para alertar sobre o Mythos, novo modelo de inteligência artificial da Anthropic, e recomendar que ele seja usado para identificar vulnerabilidades nos sistemas dos bancos. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America e Morgan Stanley já testam o modelo internamente, segundo apuração da Bloomberg.

A virada de Trump em relação à Anthropic em 60 dias

Data Evento
fev/2026 Pentágono classifica a Anthropic como risco de segurança
mar/2026 Anthropic processa o governo Trump por restrições de IA
mar/2026 Anthropic vence liminar contra a Casa Branca
7/abr/2026 Anthropic lança Project Glasswing com o modelo Mythos para parceiros
8/abr/2026 Bessent e Powell reúnem CEOs de bancos para alertar sobre o Mythos
10/abr/2026 Bloomberg revela que cinco bancos sistêmicos testam o modelo

Linha do tempo da relação Trump-Anthropic. Fontes: Fortune e Anthropic

Por que reguladores convocaram os bancos

A reunião aconteceu na sede do Tesouro, em Washington, na terça-feira (8). Estiveram presentes Jane Fraser (Citigroup), Ted Pick (Morgan Stanley), Brian Moynihan (Bank of America), Charlie Scharf (Wells Fargo) e David Solomon (Goldman Sachs). Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, foi o único CEO de banco sistêmico que não compareceu, embora o JPMorgan figure como parceiro de lançamento da iniciativa da Anthropic. Os reguladores apresentaram o Mythos como ferramenta capaz de elevar o teto do que um modelo de IA consegue fazer em segurança ofensiva, e o modelo já encontrou milhares de vulnerabilidades de severidade alta, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores.

O encontro foi a contrapartida regulatória do Project Glasswing, programa anunciado pela Anthropic em 7 de abril para dar acesso antecipado ao Mythos a um grupo de empresas de infraestrutura crítica. A lista inclui Amazon Web Services, Apple, Broadcom, Cisco, CrowdStrike, Google, Microsoft, Nvidia e o próprio JPMorgan Chase. A iniciativa segue a lógica de transformar uma capacidade ofensiva em produto defensivo, com parceiros aplicando o modelo nos próprios sistemas para encontrar e corrigir falhas antes que sejam exploradas. O Goldman Sachs já vinha integrando modelos da Anthropic em seu pipeline de compliance interno antes desta convocação.

Uma virada dramática em relação à Anthropic

O endosso explícito da Casa Branca é o ponto mais incongruente da história. Em fevereiro, o Pentágono havia classificado a Anthropic como risco de segurança, restringindo o uso de seus modelos por contratos federais sensíveis. A Anthropic respondeu processando o governo, e venceu uma liminar em março que suspendeu parte das restrições. Pouco mais de duas semanas depois, o Tesouro e o Fed se sentaram com os CEOs dos maiores bancos do país para recomendar exatamente o produto da empresa que o Pentágono havia tentado limitar.

“O presidente Trump e a administração continuam a tratar a segurança de IA de forma cuidadosa”, afirmou um porta-voz do Tesouro à PYMNTS, dizendo que a reunião faz parte de uma força-tarefa interagências que envolve o Tesouro e outras pastas. A leitura prática é que o governo americano passou a tratar capacidade ofensiva de IA como infraestrutura crítica de defesa nacional, em vez de como vetor de risco a ser contido. Em paralelo, a Anthropic anunciou recentemente o Claude Managed Agents, oferta voltada a empresas que querem rodar agentes de IA em produção sem montar a própria camada de orquestração.

O que observar

O movimento marca a primeira vez que reguladores americanos endossam publicamente um produto específico de uma empresa privada de IA como ferramenta de defesa para o sistema bancário. Vale acompanhar como instituições financeiras fora do círculo dos bancos sistêmicos americanos se posicionam: a barra de adoção subiu, e auditores, conselhos e investidores institucionais devem começar a perguntar por que um determinado banco não está usando capacidade equivalente. O custo de fazer cibersegurança apenas com ferramentas tradicionais tende a aumentar à medida que modelos como o Mythos democratizam a descoberta de vulnerabilidades.

O segundo ponto a observar é a tensão entre IA defensiva e ofensiva. O mesmo modelo que ajuda um banco a fechar brechas pode, em mãos erradas, mapeá-las em escala industrial. A pergunta que fica para reguladores em outras jurisdições é se vão seguir o caminho americano de endosso a parceiros confiáveis, ou se vão tentar restringir o acesso. Para a indústria de cibersegurança, o teste é se o ciclo de descoberta e correção habilitado por modelos de fronteira consegue rodar mais rápido que o ciclo de exploração por adversários com a mesma tecnologia.

Fontes: PYMNTSBloombergFortuneAnthropic Project GlasswingThe Hacker News

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