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CriptoCrédito · Stablecoin

Tether entra no crédito privado com fundo de US$ 400 mi

Tether e Fasanara lançam o StableFund, fundo de crédito privado de US$ 400 milhões que mira US$ 3 bilhões usando a stablecoin USD₮ em 60+ países.

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· 3 min

Atualizado em

Mehaniq / Shutterstock.com

A Tether entrou no mercado de crédito privado (private credit), os empréstimos concedidos fora do sistema bancário tradicional. A maior emissora de stablecoin do mundo, a cripto atrelada ao dólar, lançou com a gestora Fasanara Capital o StableFund, um fundo ancorado em US$ 400 milhões em coinvestimento das duas empresas e que mira até US$ 3 bilhões em capital institucional.

StableFund em números

Indicador Valor
Capital-âncora (coinvestimento) US$ 400 milhões
Meta de capital institucional Até US$ 3 bilhões
Alcance previsto Mais de 60 países
Mercado global de crédito privado ~US$ 3 tri (proj. US$ 5 tri até 2029)

Dados do lançamento do StableFund, anunciado em 9 de setembro de 2026. Fonte: PYMNTS

O que a Tether leva ao crédito privado

A divisão de papéis coloca a Fasanara como gestora dos investimentos, com foco em estratégias de crédito de curta duração e lastreadas em ativos, enquanto a Tether atua como originadora e fornece a infraestrutura de liquidação. O dólar digital USD₮, a stablecoin da empresa, entra como trilho para os fluxos de empréstimo a pequenas e médias empresas e a consumidores em mais de 60 países. Sediada em Londres, a Fasanara gere mais de US$ 6 bilhões em ativos.

Segundo o comunicado, o veículo mira o financiamento de pequenas e médias empresas, que enfrentam uma lacuna global de crédito estimada em US$ 5,7 trilhões. “Com este fundo, a Tether desempenha o papel que está mais bem posicionada para desempenhar, originando oportunidades de financiamento atreladas ao USD₮ e fornecendo a infraestrutura de stablecoin que viabiliza o crédito transfronteiriço sem atritos”, disse Paolo Ardoino, CEO da Tether. O movimento amplia o uso do USD₮ para além do papel de reserva de valor, o mesmo que já levou a Tether a aportar em plataformas de negociação.

Para a Fasanara, a atração está no alcance da rede. “A Tether traz algo único a essa equação: a maior rede de stablecoin do mundo, uma base de investidores nativos de cripto com capacidade de capital significativa e trilhos de USD₮ que ampliam o alcance do crédito além de qualquer coisa que estruturas de financiamento convencionais conseguem alcançar”, afirmou Francesco Filia, CEO da Fasanara Capital. A aposta ecoa outros movimentos que aproximam stablecoins da concessão de crédito, como o da Visa, que ligou dados de transações a crédito em blockchain.

O que observar

O timing chama atenção. O crédito privado cresceu num ambiente de juros altos, mas dá sinais de estresse: reportagens recentes apontam aumento de calotes, remarcação de ativos e resgates de investidores, com a taxa de inadimplência do setor nos Estados Unidos chegando a 6,1% no mês anterior. Vale acompanhar se um veículo que promete escala transfronteiriça consegue manter a disciplina de originação quando o ciclo aperta.

A pergunta de fundo é qual o diferencial real da liquidação em stablecoin. Se a tese se confirmar, gestoras de crédito, fintechs de empréstimo e emissoras de moeda digital passam a disputar o mesmo espaço, e o teste será se os trilhos digitais reduzem custo e prazo de repasse o suficiente para justificar o risco adicional de exposição a mercados emergentes.

Fontes: PYMNTSThe BlockLet’s MoneyLet’s Money

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