A colombiana Plenti fechou uma rodada semente de US$ 3 milhões liderada pela Tether, emissora da stablecoin USDT, com participação do fundo Verda Ventures. O dinheiro vai consolidar a operação na Colômbia e financiar a abertura dos negócios no Peru e na Bolívia. A plataforma diz reunir mais de 150 mil usuários ativos.
A rodada semente da Plenti
| Item |
Dado |
| Valor captado |
US$ 3 milhões |
| Investidora líder |
Tether, emissora do USDT |
| Participação |
Verda Ventures |
| Usuários ativos |
mais de 150 mil |
| Volume anual de transações |
mais de US$ 3,1 bilhões |
| Destino dos recursos |
Colômbia, Peru e Bolívia |
Dados da rodada semente da Plenti. Fonte: Forbes Colômbia
Os números da Plenti antes da rodada com a Tether
Fundada em Medellín, a empresa trabalha com movimentação de moedas e serviços de investimento. Ela reporta transações anuais acima de US$ 3,1 bilhões somando as divisões B2B (negócios entre empresas) e B2C (venda direta ao consumidor). O cofundador da empresa colocou os dois números lado a lado. “Levantamos US$ 3 milhões para uma operação que já movimenta mais de US$ 3,1 bilhões por ano”, disse Martín Peláez, cofundador e CTO da Plenti, à Forbes Colômbia.
A oferta reúne três frentes: transações internacionais, rendimento sobre saldos de até 8% ao ano em taxa efetiva e compra fracionada a partir de US$ 6 em ações da bolsa dos Estados Unidos, fundos de índice (ETFs) e criptoativos. Sobre a entrada do novo sócio, Peláez afirmou: “Que a Tether entre agora como investidora valida o que construímos e nos permite fortalecer a liquidez e a segurança da plataforma para levar este modelo a mais mercados da América Latina”.
Quem disputa a categoria de contas multimoeda
Pela leitura da Forbes Colômbia, a Plenti disputa espaço com aplicativos como DolarApp, Littio, Dollarize e Bitso. Tanto a publicação colombiana quanto a Finextra enquadram o aporte no avanço das plataformas de dólar digital na América Latina diante da volatilidade das moedas locais. Ao fim do segundo trimestre de 2026, a emissora do USDT registrava US$ 184,6 bilhões em circulação, o equivalente a mais de 60% do mercado global de stablecoins segundo o balanço trimestral da própria companhia.
Não é o primeiro cheque da emissora para plataformas latino-americanas. Em abril de 2026, ela liderou a Série A de US$ 14 milhões da argentina Belo, operação que financia a entrada em seis novos mercados da região. Em julho de 2026, no Brasil, entrou na base de investidores do Mercado Bitcoin com R$ 100 milhões.
O que observar
O ponto que chama atenção nessa categoria é a proporção entre o cheque e o volume já processado. Quando uma plataforma de câmbio e investimento capta um valor pequeno diante do fluxo que movimenta, a discussão sai do financiamento do crescimento e vai para o que o investidor traz além do dinheiro: liquidez, acesso a corredores de conversão e previsibilidade de custo. Vale acompanhar se emissores de moeda estável seguem entrando como sócios minoritários de aplicativos de varejo, e não apenas como fornecedores de infraestrutura.
O segundo ponto é regulatório. Plataformas que oferecem rendimento sobre saldo em moeda estrangeira e compra fracionada de ativos listados no exterior operam na fronteira entre câmbio, corretagem e captação. Conforme a expansão cruza países com regimes cambiais distintos, o teste será se o mesmo produto atravessa a fronteira sem redesenho, ou se cada mercado vai cobrar licença, parceiro local e estrutura própria antes de liberar a operação.
Fontes: Forbes Colômbia • Finextra • Decrypt