A empresa por trás do USDT, principal stablecoin do mercado global, entrou na base de investidores do Mercado Bitcoin com R$ 100 milhões. O cheque é a largada de uma captação mais ampla, que a plataforma brasileira vai usar para pisar fundo em quatro frentes: crédito, meios de pagamento, ativos tokenizados e mercados de capitais rodando em blockchain.
Como está estruturado o aporte
| Item |
Detalhe |
| Primeiro fechamento |
R$ 100 milhões, da Tether |
| Valor total da rodada |
Não divulgado |
| Também participam |
Fundadores do MB e SoftBank |
| Destino dos recursos |
Crédito, pagamentos, ativos tokenizados e mercado de capitais on-chain |
Estrutura do primeiro fechamento da rodada. Fonte: Valor
Para onde vai o dinheiro
Na prática, o cheque rega várias frentes de uma vez. A malha de pagamentos ganha reforço, os produtos tokenizados passam a ser desenhados também para o investidor institucional (e não só para o varejo), a mesa de empréstimos ganha fôlego e a companhia quer levar esse pacote para fora do país. A frente de crédito não é nova: a plataforma já concedeu R$ 47 milhões em crédito usando cripto como garantia. Segundo dados divulgados pela empresa, são 4,5 milhões de usuários e mais de R$ 155 bilhões transacionados desde 2013, com 10 autorizações regulatórias no Brasil e na Europa.
Roberto Dagnoni, presidente-executivo do Mercado Bitcoin, resumiu a lógica por trás do movimento. “A discussão já não é mais se os serviços financeiros migrarão para infraestruturas ‘on-chain’. Essa transição já está em curso”, afirmou. Esse é apenas o pontapé de uma captação que reúne ainda os sócios-fundadores e o SoftBank, na base acionária desde 2021, ano em que o MB alcançou o status de unicórnio. A companhia preferiu não abrir o tamanho total previsto, o valuation da operação nem a fatia comprada pela Tether. É a mesma casa que mira R$ 400 bilhões em volume transacionado até 2030.
A aposta da maior emissora de stablecoin
Para a Tether, o cheque segue a cartilha de bancar quem constrói trilhos financeiros em blockchain. A mesma emissora foi contratada pela Geórgia para criar uma stablecoin nacional, sinal do apetite global da companhia. Ardoino creditou o aval à mistura de ambiente regulado, capacidade de tokenizar ativos e um leque de serviços amarrados num só lugar.
“O Mercado Bitcoin construiu uma plataforma regulada e integrada de serviços financeiros ‘on-chain’ que atende milhões de usuários em um dos mercados financeiros mais dinâmicos do mundo”, afirmou Paolo Ardoino, CEO da Tether. “Estamos entusiasmados em apoiar a próxima fase de crescimento do Mercado Bitcoin como parceiro estratégico e investidor”, completou.
O aporte pega carona numa onda em que casas de cripto e bancos tradicionais correm para tokenizar ativos, emitir stablecoins e digitalizar meios de pagamento. Por aqui, o cenário anda junto com o esforço do Banco Central para fechar o marco regulatório das empresas de ativos virtuais, que vem defendendo tratar a stablecoin de pagamento como moeda.
O que observar
O aporte reforça uma leitura que vem ganhando corpo: a de que a infraestrutura de mercado de capitais pode migrar para trilhos on-chain sem abrir mão de licença e supervisão. Se essa tese se confirmar, o impacto mais direto recai sobre corretoras de ativos digitais e emissoras de stablecoin, que passam a competir por quem oferece a pilha mais completa (custódia, crédito, tokenização e pagamentos) dentro do perímetro regulado. Vale acompanhar se a clareza regulatória em construção no país acelera a entrada de capital estrangeiro no setor, ou se o ritmo fica preso ao calendário de normatização. A pergunta que fica é operacional: até onde produtos tokenizados conseguem sair do varejo cripto e chegar ao investidor institucional, que exige liquidez e garantias que o mercado on-chain ainda está aprendendo a entregar.
Fontes: Valor • InfoMoney • Let’s Money