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TikTok avalia envio de dinheiro por mensagem direta

Código do aplicativo nos EUA indica transferências entre usuários pelo TikTok Pay. ByteDance pediu duas licenças ao Banco Central em março de 2026.

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· 4 min

Atualizado em

Tiko Aramyan / Shutterstock.com

O TikTok está explorando um recurso que permitiria aos usuários enviar dinheiro uns aos outros por mensagens diretas, segundo indícios encontrados no código do aplicativo para iPhone nos Estados Unidos. O movimento aparece quase cinco meses depois de a ByteDance pedir ao Banco Central duas licenças para operar serviços financeiros no Brasil.

O que o código do aplicativo indica

Elemento Indicação
Processamento TikTok Pay
Ação do destinatário Tocar para aceitar antes do vencimento de um prazo
Acompanhamento do remetente Notificações ou caixa de entrada do app
Mensagem junto ao pagamento Referências no código, formato semelhante ao Venmo
Estágio Em desenvolvimento, sem teste em nenhum mercado
Onde o TikTok Pay opera hoje Vietnã, Malásia e Tailândia

Indícios encontrados na versão atual do aplicativo para iPhone nos Estados Unidos, em agosto de 2026. Fonte: InfoMoney

Como os pagamentos do TikTok funcionariam

Pelo que o código sugere, o destinatário teria de “tocar para aceitar” o valor recebido antes do vencimento de um prazo determinado, e o remetente acompanharia o status por notificações ou pela caixa de entrada do aplicativo. Há ainda referências à possibilidade de anexar uma mensagem ao pagamento, formato parecido com o do Venmo, serviço da PayPal. Um porta-voz do TikTok afirmou que o recurso não está em testes em nenhum mercado neste momento, e não há garantia de que a companhia vá lançá-lo.

O TikTok Pay, que faria o processamento, está disponível hoje apenas no Vietnã, na Malásia e na Tailândia, onde é usado para pagamentos dentro do TikTok Shop. Um sistema nativo de transferências manteria dentro do aplicativo transações que hoje escapam dele: muitos usuários divulgam contas do Venmo, do Cash App ou de outros serviços nos perfis para receber dinheiro fora do aplicativo. Consumidores no mundo todo já gastaram mais de US$ 2,9 bilhões no TikTok em 2026, segundo a Sensor Tower, e o aplicativo lidera globalmente as receitas com compras dentro de aplicativos desde 2022.

A frente financeira da ByteDance já passa pelo Brasil

Em 31 de março de 2026, a ByteDance pediu ao Banco Central autorização para operar como instituição de pagamento e como sociedade de crédito direto. No mesmo dia, Liao Baohua, chefe de Pagamentos Globais da companhia, esteve com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em Brasília. Nenhum dos dois pedidos foi aprovado até agora.

O pedido tem lastro operacional. O TikTok Shop completou um ano de Brasil com crescimento de 102 vezes no GMV médio diário, segundo a própria empresa, na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026. No mesmo intervalo, a média de criadores afiliados ativos cresceu 46 vezes e o GMV médio diário gerado por transmissões ao vivo aumentou 161 vezes.

A frente financeira vem sendo montada com gente do mercado. TikTok e ByteDance abriram vagas nos Estados Unidos e em outros países para funções ligadas a produtos financeiros, e vários executivos da expansão de pagamentos da companhia vieram do JPMorgan Chase. Em abril de 2026, a rede social e a Visa lançaram um cartão para criadores no Reino Unido. Algumas ferramentas de pagamento do TikTok também estão no centro de ações judiciais de procuradores-gerais estaduais nos Estados Unidos, que alegam facilitação de exploração financeira de menores e, em alguns casos, violação de leis de transferência de dinheiro.

O caminho não é exclusivo. No X, de Elon Musk, o X Money já virou conta bancária dentro do aplicativo, com cartão e rendimento sobre o saldo.

O que observar

A aposta das redes sociais em transferências entre usuários é menos sobre receita de pagamento e mais sobre retenção de dado e de tempo. Quando o usuário sai do aplicativo para pagar alguém, a plataforma perde o registro da transação, o contexto do relacionamento e a chance de oferecer crédito depois. Vale acompanhar se plataformas de vídeo curto vão tratar a transferência como produto financeiro autônomo ou apenas como cola entre comércio e criador, porque as duas escolhas pedem estruturas regulatórias e times bem diferentes.

No Brasil, o desenho seria outro. Aqui não falta trilho de transferência instantânea entre pessoas, e uma carteira embutida em rede social competiria com o Pix, gratuito para quem transfere e operado pelo próprio regulador. A pergunta prática é se o valor estaria na transferência em si ou no que vem depois dela, como saldo parado, crédito ao criador e antecipação de recebível de venda. Vale acompanhar também qual licença o BC concede primeiro em pedidos desse tipo, já que autorização para emitir moeda eletrônica e autorização para conceder crédito abrem produtos com riscos e prazos de maturação bem distintos.

Fontes: InfoMoneyTikTok NewsroomStartSe

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