A Trace Finance fechou uma Série A de US$ 32 milhões (R$ 162,5 milhões) com a Coinfund na liderança e valuation cerca de dez vezes maior que o da seed de 2022. A rodada foi estruturada no segundo semestre de 2025, encerrada em dezembro, e veio a público nesta quarta-feira (17).
“Mesmo processando bilhões de dólares em volume para as maiores empresas de pagamentos do Brasil e do mundo, éramos uma empresa de rodada seed, que levantou US$ 4 milhões”, afirmou ao NeoFeed o cofundador e CEO da fintech, Bernardo Brites. Para ele, o aporte abre porta a clientes institucionais e dá fôlego para a fase global da operação.
Pela série histórica do Let’s Money sobre infraestrutura de stablecoin, a Trace entra num ciclo em que rodadas de fintechs de pagamentos cross-border têm puxado capital pesado. Na véspera, a Ripple comprou fatia da Flutterwave em rodada Série E de US$ 3,25 bilhões, num movimento que une rails de stablecoin a pagamentos em mercados emergentes.
Cap table da Série A da Trace Finance
| Tipo | Nomes |
|---|---|
| Lead | Coinfund |
| Gestoras | Coinbase Ventures, Valor Capital, Haun Ventures, Jump Capital, HOF Capital, Polymorphic, SNZ, Titan Fund, Kadan Capital, Clocktower, FJ Labs e Animoca |
| Estratégicos | Chainlink Labs |
| Angels | Anatoly Yakovenko (Solana), Sean Neville (Circle), Bam Azizi (Mesh) e Ricardo Villela Marino (Itaú Unibanco) |
Cap table da Série A de US$ 32 milhões. Fontes: NeoFeed e The Block
Pivot após o SVB consolidou a tese de infraestrutura
A história operacional ajuda a entender o cheque. Em 2021, a Trace nasceu com foco em câmbio para startups receberem aportes do exterior, papel que o Silicon Valley Bank desempenhava nos Estados Unidos. Quando o SVB ruiu em 2023, a empresa estruturou um arranjo de conta bancária junto ao BNY Mellon para atender startups sem opção de banking. Logo veio um pelotão pesado para a mesma vertical, com BTG Pactual e XP de um lado e J.P. Morgan e First Republic do outro, todos com cheque maior e balcão mais largo. “Passamos a ter muitos concorrentes, maiores e melhores”, disse Brites ao NeoFeed. A startup recuou da tese de banco de startups ainda em 2023 e redirecionou energia para processamento corporativo em larga escala e settlement em stablecoin. A virada chegou aos 700 clientes (Buser e Conta Simples entre eles) e a um volume superior a US$ 10 bilhões processado desde 2025, com a empresa já em breakeven.








