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FintechInternacional · Singapura

Trace fecha Série A de US$ 32 mi com valuation 10x maior

Trace Finance levantou US$ 32 milhões liderados pela Coinfund. Valuation cresceu cerca de 10x desde a seed de 2022. Plano: escritório em Singapura.

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· 3 min

Atualizado em

Leone Parise (CTO), Bernardo Brites (CEO), Rafael Luz (COO), fundadores da Trace Finance — Foto: Divulgação

A Trace Finance fechou uma Série A de US$ 32 milhões (R$ 162,5 milhões) com a Coinfund na liderança e valuation cerca de dez vezes maior que o da seed de 2022. A rodada foi estruturada no segundo semestre de 2025, encerrada em dezembro, e veio a público nesta quarta-feira (17).

“Mesmo processando bilhões de dólares em volume para as maiores empresas de pagamentos do Brasil e do mundo, éramos uma empresa de rodada seed, que levantou US$ 4 milhões”, afirmou ao NeoFeed o cofundador e CEO da fintech, Bernardo Brites. Para ele, o aporte abre porta a clientes institucionais e dá fôlego para a fase global da operação.

Pela série histórica do Let’s Money sobre infraestrutura de stablecoin, a Trace entra num ciclo em que rodadas de fintechs de pagamentos cross-border têm puxado capital pesado. Na véspera, a Ripple comprou fatia da Flutterwave em rodada Série E de US$ 3,25 bilhões, num movimento que une rails de stablecoin a pagamentos em mercados emergentes.

Cap table da Série A da Trace Finance

Tipo Nomes
Lead Coinfund
Gestoras Coinbase Ventures, Valor Capital, Haun Ventures, Jump Capital, HOF Capital, Polymorphic, SNZ, Titan Fund, Kadan Capital, Clocktower, FJ Labs e Animoca
Estratégicos Chainlink Labs
Angels Anatoly Yakovenko (Solana), Sean Neville (Circle), Bam Azizi (Mesh) e Ricardo Villela Marino (Itaú Unibanco)

Cap table da Série A de US$ 32 milhões. Fontes: NeoFeed e The Block

Pivot após o SVB consolidou a tese de infraestrutura

A história operacional ajuda a entender o cheque. Em 2021, a Trace nasceu com foco em câmbio para startups receberem aportes do exterior, papel que o Silicon Valley Bank desempenhava nos Estados Unidos. Quando o SVB ruiu em 2023, a empresa estruturou um arranjo de conta bancária junto ao BNY Mellon para atender startups sem opção de banking. Logo veio um pelotão pesado para a mesma vertical, com BTG Pactual e XP de um lado e J.P. Morgan e First Republic do outro, todos com cheque maior e balcão mais largo. “Passamos a ter muitos concorrentes, maiores e melhores”, disse Brites ao NeoFeed. A startup recuou da tese de banco de startups ainda em 2023 e redirecionou energia para processamento corporativo em larga escala e settlement em stablecoin. A virada chegou aos 700 clientes (Buser e Conta Simples entre eles) e a um volume superior a US$ 10 bilhões processado desde 2025, com a empresa já em breakeven.

Ásia, regulação e contratação no destino dos recursos

Os US$ 32 milhões financiam um escritório em Singapura como base para a expansão na região Ásia-Pacífico, onde a plataforma mBridge desafia o Swift em pagamentos cross-border com CBDC, e operações no Oriente Médio. Pelo menos 20% dos recursos vão para adequação regulatória local, incluindo capital mínimo, licenças e times de compliance. A equipe passou de 23 funcionários em janeiro de 2026 para 48 em cinco meses, e Brites afirmou ao NeoFeed querer trazer “cabeças brancas”, profissionais com vinte anos em grandes bancos.

O que observar

Dois pontos pra acompanhar. O primeiro é o avanço de fintechs brasileiras de infraestrutura B2B em mercados que historicamente eram dominados por incumbentes globais. A escolha de Singapura como hub Ásia-Pacífico mostra startups latino-americanas saindo do papel de exportador de produto para o de operador com licença regulatória local, mudança que altera o ângulo da competição em pagamentos cross-border.

O segundo é o papel do private banking brasileiro como capital seed para empresas cripto-nativas. A entrada pontual de executivos sêniores de bancos tradicionais em rodadas de infraestrutura stablecoin sinaliza alinhamento estratégico fora do balanço, algo que merece atenção quando o discurso público das mesas institucionais sobre cripto ainda é cauteloso.

Fontes: NeoFeedThe BlockBusinessWireCrowdfund Insider

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