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Ume capta R$ 500 mi em FIDCs para crédito no varejo

Fintech Ume capta R$ 500 milhões em FIDCs geridos pela Milenio Capital, com Itaú, Bradesco e XP, para expandir crédito no varejo pelos trilhos do Pix.

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· 3 min

Atualizado em

Theo Ramalho, cofounder da Ume. Foto: Divulgação

A fintech Ume captou R$ 500 milhões em fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) para irrigar crédito no varejo. A operação, estruturada e gerida pela Milenio Capital, teve como investidores Itaú, Bradesco, XP (Augme), Verde e Credit Saison, e mais que triplicou o FIDC de R$ 150 milhões que a empresa havia montado no início do ano.

A nova captação da Ume em FIDCs

Item Detalhe
FIDC do início do ano R$ 150 milhões
Nova captação R$ 500 milhões
Estruturação e gestão Milenio Capital
Investidores Itaú, Bradesco, XP (Augme), Milenio, Verde, Credit Saison
Uso Crédito no varejo via trilhos do Pix

Captação de R$ 500 milhões em FIDCs da Ume. Fonte: Valor Econômico

Como a Ume monta o crédito no varejo

Criada em 2019, a fintech opera como uma linha rotativa que o próprio lojista oferece ao cliente na hora da compra. A liquidação corre sobre o Pix, e o desenho deixa o comerciante embolsar o ganho financeiro do parcelamento, receita que no arranjo tradicional acaba capturada pelos bancos. O alvo é a ponta do balcão, onde quem vende concede o crédito mas quase nunca fica com a margem, um território que outras casas vêm disputando, como mostra o avanço de plataformas que replicam o crédito embarcado no e-commerce.

“Iniciamos o ano com um FIDC de R$ 150 milhões e a forte demanda dos parceiros acelerou essa nova captação de R$ 500 milhões. Este recurso fortalece diretamente o varejo brasileiro em um momento difícil para o setor, marcado por juros elevados e incertezas econômicas”, declarou Theo Ramalho, um dos fundadores da empresa, em comunicado. A companhia também tem um pedigree técnico peculiar na cúpula: a área de tecnologia é liderada pelo pai do fundador Berthier Ribeiro, um engenheiro que dirigiu durante anos a operação do Google no país antes de migrar para a fintech.

O boom dos FIDCs como funding de fintech

A estrutura escolhida pela Ume virou o veículo padrão de captação das fintechs de crédito. O estoque de FIDCs no país chegou a R$ 754 bilhões enquanto as debêntures recuaram, e casas de todos os portes têm recorrido ao instrumento para financiar carteira sem depender só de capital próprio, num ritmo em que outras fintechs captaram cifras semelhantes em poucos meses. Em entrevista ao podcast Let’s Money em novembro de 2025, Michel Rubin, da M8 Partners, resumiu o desafio por trás desse crescimento: “A concessão de crédito é fácil. Você emprestar dinheiro é super fácil. O difícil no Brasil é você recuperar.” A abundância de funding, na leitura dele, é a parte simples da equação.

O que observar

A captação resolve o lado do funil que costuma travar fintechs de crédito, o acesso a capital, mas empurra a prova para a etapa seguinte. Gestoras de FIDC e originadoras de crédito no varejo terão de mostrar que a inadimplência se mantém sob controle num ambiente de juros altos, justamente quando o crédito ao consumo cresce sobre uma base de renda pressionada. Vale acompanhar se a demanda dos investidores institucionais se sustenta caso a recuperação das carteiras decepcione, e se o modelo de repassar a margem do parcelamento ao lojista aguenta ciclos de crédito mais apertados. O teste real não é levantar o dinheiro, é devolvê-lo aos cotistas na régua prometida.

Fontes: Valor EconômicoStartupsLet’s Money Podcast: FIDCs com Michel Rubin

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