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Maquininhas de VR e VA terão de aceitar todas as operadoras

Decreto do PAT dá até novembro para cartão de qualquer operadora passar em toda maquininha de VA e VR; teto de 3,6% na taxa já vale desde fevereiro.

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Maquininha
Shutterstock

Quem paga o almoço ou o supermercado com cartão de benefício vai poder usá-lo fora da rede de terminais da própria operadora a partir de novembro. O governo federal confirmou que cartões de vale-refeição e de vale-alimentação (VR e VA) de qualquer emissor terão de passar nas maquininhas habilitadas para esse tipo de pagamento.

É a última etapa pendente do decreto que reformou o PAT, programa federal que disciplina o benefício de alimentação pago pelas empresas. Em nota citada pelo jornal O Globo, o Ministério do Trabalho e Emprego afirma que, no começo de outubro, “a maior parte das medidas do Decreto nº 12.712/2025 já entrou em vigor”. Sobre a interoperabilidade, o ministério diz que ela permitirá “que os cartões de VA e VR sejam aceitos nas diferentes redes de captura, sem ficarem limitados à infraestrutura específica de uma determinada operadora”.

O calendário do decreto do PAT

Quando O que muda
Novembro de 2025 Decreto publicado; veto a práticas comerciais abusivas
11 de fevereiro de 2026 Teto de 3,6% na taxa ao comércio, intercâmbio de até 2% e repasse em até 15 dias corridos (antes, 30)
Maio de 2026 Fim dos 180 dias para operadoras com mais de 500 mil usuários abrirem os cartões a maquininhas de outras empresas
Até novembro de 2026 Interoperabilidade plena, 360 dias após o decreto: cartão de qualquer operadora aceito em toda maquininha habilitada para VA e VR

Cronograma do Decreto nº 12.712/2025, que alterou o PAT. Fonte: O Globo

O que já vale para restaurantes e mercados

O decreto saiu em novembro de 2025. Uma parte dele valeu na hora, como o veto a práticas comerciais abusivas. Para o restante, o governo fixou janelas de transição, de modo que empregadores e operadoras tivessem tempo de refazer contratos.

O limite de taxas está em vigor desde fevereiro de 2026: a credenciadora não pode cobrar do estabelecimento mais de 3,6% de taxa, e, desse total, o intercâmbio pode levar no máximo 2%, sem cobrança adicional, segundo O Globo. Desde então, o dinheiro das vendas também tem de chegar ao comerciante em até 15 dias corridos, metade dos 30 dias de antes.

A abertura das redes foi dividida em duas fases. Pelo relato do jornal, quem tem mais de 500 mil usuários teve 180 dias, encerrados em maio de 2026, para deixar seus cartões rodarem em terminais de concorrentes. A fase final, de interoperabilidade completa, tem 360 dias de prazo desde a publicação do texto, o que a leva a novembro, de acordo com a nota do ministério.

O jornal aponta ainda um efeito do teto sobre o rebate, o desconto que operadoras concedem a grandes empregadores para segurar contratos e que acaba bancado por taxas mais altas cobradas dos restaurantes. Com a taxa limitada, essa prática pode deixar de se sustentar, na leitura do veículo. O saldo segue restrito a comida e refeição, sem saque, e o valor pago pelas empresas não muda. O benefício também continua sem obrigatoriedade por lei federal, salvo quando a convenção coletiva da categoria exige.

Emissores já mexem na aceitação

Enquanto o prazo corre, emissores mexem na aceitação dos próprios cartões. A Banrisul Pagamentos pôs os cartões Banricard de VR e VA na bandeira Elo, o que leva o produto do arranjo fechado ao aberto, com troca da base prevista até o fim de 2026.

O BTG, por sua vez, lançou um cartão que junta vale-refeição e alimentação em agosto, rodando na rede Mastercard.

O que observar

Para o comerciante, a pergunta é prática: se qualquer cartão de benefício passar no terminal que ele já usa, quanto pesa ainda o credenciamento direto com cada operadora? O efeito deve ser observado em bares, restaurantes e mercados pequenos, alvo direto do teto de taxa e do prazo de repasse.

Para as operadoras, a rede própria de aceitação tende a perder peso como diferencial. Sem ela e, se a leitura sobre o rebate se confirmar, sem o desconto ao empregador como argumento de venda, a disputa por contratos corporativos tende a migrar para serviço ao RH e preço. Vale acompanhar também se todos os arranjos chegam a novembro tecnicamente prontos, ou se a última etapa do cronograma vai precisar de ajuste.

Fontes: O Globo • Let’s Money: Banrisul e Elo • Let’s Money: cartão de benefícios do BTG

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