A Vertrau Tecnologia, infratech de Blumenau para FIDCs e recebíveis, projeta crescer mais de 400% em 2026, saindo de R$ 1,5 milhão para R$ 8,1 milhões em faturamento. A companhia surfa a expansão do mercado de FIDCs, que fechou 2025 com patrimônio líquido de R$ 741,1 bilhões, alta de 22,5% em 12 meses, segundo a Anbima.
Vertrau e o mercado de FIDCs
| Indicador |
Dado |
| Faturamento Vertrau 2025 |
R$ 1,5 milhão |
| Projeção de faturamento 2026 |
R$ 8,1 milhões (+400%) |
| Patrimônio líquido da indústria de FIDCs (2025) |
R$ 741,1 bilhões |
| Crescimento da indústria em 12 meses (Anbima) |
+22,5% |
| Prazo atual de estruturação de um FIDC |
até 9 meses |
| Prazo com a plataforma Vertrau |
~45 dias |
| Integração com administradoras de FIDCs |
mais de 65% |
Vertrau e o mercado de FIDCs. Fonte: Exame
Como a Vertrau corta o prazo de estruturação de um FIDC
O gargalo histórico do segmento é o tempo: estruturar um FIDC empresarial pode levar até nove meses, com múltiplos agentes e etapas manuais. A plataforma da Vertrau reduz esse prazo para cerca de 45 dias a partir da integração direta com sistemas de gestão (ERPs) das empresas e da automação das etapas operacionais. A empresa diz estar conectada a mais de 65% das administradoras de FIDCs e aos principais bancos de investimento que operam com esses veículos.
“Grande parte do trabalho é eliminar ruídos e reduzir dependência de processos manuais que ainda travam o mercado”, afirmou Dionathan Henchel, sócio-fundador. “Nosso papel é simplificar uma engrenagem ainda muito fragmentada e permitir que mais empresas acessem o mercado de capitais com eficiência.” A companhia abriu uma base em São Paulo para se aproximar de gestoras e investidores, e agora mira o Nordeste para ampliar cobertura regional.
O boom do mercado de FIDCs no Brasil
A aposta acontece num mercado em expansão acelerada. Segundo a Anbima, o patrimônio líquido da indústria de FIDCs atingiu R$ 741,1 bilhões em 2025, crescimento de 22,5% em 12 meses. O movimento consolida os FIDCs como alternativa protagonista ao crédito bancário sob a Resolução 175 da CVM, que reorganizou a regulação de fundos de investimento. Na ponta do usuário, grandes empresas passam a operar como fintechs de crédito: a CashU, por exemplo, estruturou um FIDC de R$ 120 milhões para crédito B2B intra-cadeia, com investidores como BTG, Capitânia, Itaú e Saison.
Fundada em 2024 em Blumenau por Walter Fritzke e Dionathan Henchel, com a entrada posterior de Israel Malheiros e Bruno Warmling, a Vertrau saiu da constatação de que os sistemas disponíveis no ecossistema estavam defasados. A solução cobre estruturação, gestão de fundos empresariais, integração com ERPs e automação de garantias vinculadas a recebíveis.
O que observar
O crescimento da indústria de FIDCs cria demanda por infraestrutura tecnológica que hoje é atendida por fornecedores fragmentados: administradoras usam softwares legados, gestoras operam em planilhas, e empresas cedentes integram manualmente seus ERPs. Quem oferece a camada de padronização captura uma fatia crescente, mas disputa espaço com bancos de investimento que têm equipes internas, custódias e administradoras fiduciárias com produtos próprios. A janela é curta: cada trimestre sem padronização significa mais operações manuais travando escala.
Vale acompanhar três frentes. A primeira é a entrada de grandes administradoras e custódias em tecnologia proprietária: se o movimento avançar, reduz o espaço para infratechs independentes. A segunda é o efeito da Resolução 175 da CVM em consolidação regulatória: novas exigências de reporte e governança aumentam o custo fixo por FIDC, empurrando estruturadores de menor porte para plataformas compartilhadas. A terceira é o ritmo de adoção em mercados regionais: cedentes do Sul já tendem a operar digitalmente, mas o Nordeste, onde a Vertrau mira expansão, tem ecossistema de crédito mais bancarizado e pode exigir ciclo de vendas mais longo.
Fontes: Exame • Let’s Money | FIDCs ganham protagonismo com Resolução 175 • Let’s Money | CashU capta R$ 120 mi via FIDC