A Visa iniciou nesta quinta-feira uma prova de conceito com a Brale na Canton Network, rede permissionada apoiada por JPMorgan, Goldman Sachs, BNP Paribas e DTCC. O foco é testar se a liquidação institucional em blockchain consegue preservar a privacidade de partes, posições e fluxos, com uso da stablecoin SBC, lastreada em dólar e emitida pela Brale.
O piloto de stablecoin da Visa em 2026
| Item |
Detalhe |
| Stablecoin da nova prova de conceito |
SBC (Brale) |
| Rede blockchain do POC |
Canton (permissionada) |
| Apoiadores da Canton Network |
JPMorgan, Goldman Sachs, BNP Paribas, DTCC |
| Início do programa Visa em stablecoin |
2021 (USDC em Ethereum) |
| Volume global de stablecoins emitidas (S&P Global) |
mais de US$ 300 bilhões |
Dados do POC Visa-Brale e do relatório da S&P Global Ratings citados pela reportagem. Fonte: Cointelegraph
A prova de conceito com a Brale na Canton
Diferente de uma blockchain pública, a Canton permite que apenas participantes da transação e reguladores autorizados vejam dados específicos do negócio, mantendo a capacidade de liquidação atômica entre ativos tokenizados, instrumentos de caixa e outros contratos financeiros. “A prova de conceito vai avaliar como a arquitetura de privacidade da Canton consegue dar suporte a liquidação mais rápida e mais programável, mantendo controle estrito sobre a visibilidade de dados sensíveis de transação”, disseram Visa e Brale em comunicado citado pela Cointelegraph.
Da Ethereum pública às redes permissionadas
A Visa começou a oferecer liquidação em stablecoin em 2021, com USDC em Ethereum, em rede pública e portanto com transações visíveis. Desde abril, segundo o release oficial da Visa, o piloto cobre nove blockchains: Arc, Base, Canton, Polygon, Tempo, Avalanche, Ethereum, Solana e Stellar. O movimento sobre Canton é a primeira aposta institucional da empresa em uma rede com camada de privacidade nativa, alinhada à demanda de bancos e provedores de infraestrutura que querem eficiência on-chain sem expor contrapartes e posições. Em março de 2026, a Visa já havia entrado como super validadora da Canton Network.
Em paralelo: emissão global passa de US$ 300 bilhões
Em paralelo, em 3 de junho a Mastercard anunciou liquidação 24/7 com stablecoins reguladas em oito blockchains. Em relatório também desta quinta, a S&P Global Ratings afirmou que a emissão global de stablecoins já passou de US$ 300 bilhões, com a maior parte da demanda ainda ligada a trading de cripto. A agência avalia que stablecoins compatíveis com a Lei GENIUS, dos EUA, podem se expandir para remessas e pagamentos comerciais, com cross-border como uso mais promissor no curto prazo.
O que observar
O movimento das redes de cartão para blockchains permissionadas separa duas teses do dinheiro programável. Em redes públicas, instituições ganham interoperabilidade, mas expõem dados sensíveis. Em redes permissionadas, ganham privacidade e controle regulatório, mas precisam confiar em consórcios com volume ainda limitado fora de provas de conceito.
Vale acompanhar como o BC e a SEC vão tratar a coexistência das duas arquiteturas em fluxos cross-border, e se reguladores asiáticos vão aceitar liquidação on-chain de cartões de forma equivalente em redes públicas e permissionadas. A pergunta concreta é qual modelo capta mais volume real até o fim de 2026: privacidade institucional ou escala em redes abertas.
Fontes: Cointelegraph • Visa • Let’s Money • Let’s Money