A Visa entrou na Canton Network como super validadora, tornando-se a primeira grande empresa de pagamentos a assumir um papel de governança em uma blockchain construída especificamente para finanças institucionais. O movimento conecta a infraestrutura global de pagamentos da Visa a uma rede que já processa ativos tokenizados para Goldman Sachs, BNP Paribas e Deutsche Börse.
CANTON NETWORK: COMO FUNCIONA
| Camada |
O que faz |
| Governança |
40 super validadores (Visa, Goldman Sachs, BNP Paribas, CBOE) decidem regras e votam propostas |
| Privacidade |
Transações visíveis apenas para as partes envolvidas (criptografia nativa, não add-on) |
| Smart contracts |
Linguagem Daml (Digital Asset), projetada para compliance regulatório |
| Settlement |
USDCx (stablecoin backed por USDC) como moeda de liquidação institucional |
Fonte: BusinessWire, Canton Network, Finextra
O papel da Visa na rede
Como super validadora, a Visa ajuda a operar e proteger a infraestrutura central da Canton Network, valida transações e participa de decisões de governança que definem as regras do ecossistema. O papel vai além de um piloto: a empresa votou sua primeira proposta de governança em blockchain ao aderir à rede.
“Muitos bancos veem a falta de privacidade como impeditivo para mover atividade relevante para blockchain”, disse Rubail Birwadker, Global Head de Growth Products da Visa, à Finextra. Birwadker afirmou que a empresa traz para a Canton Network os mesmos padrões de confiança e rigor operacional que definem sua rede global de pagamentos. Na prática, instituições financeiras poderão experimentar pagamentos com stablecoins, settlement e operações de tesouraria sem alterar processos de risco e compliance existentes.
Uma rede que já opera em produção
A Canton Network se diferencia de blockchains públicas genéricas por ter sido projetada desde a origem para atender exigências regulatórias. Desenvolvida pela Digital Asset com a linguagem de smart contracts Daml, a rede permite que ativos tokenizados sejam emitidos, negociados e liquidados com privacidade por design. Em agosto de 2025, um consórcio de instituições completou a primeira operação de financiamento de Treasuries americanas contra USDC totalmente on-chain, com settlement atômico em tempo real.
A entrada da Visa adiciona uma camada de pagamentos ao ecossistema. Enquanto a Canton já processava emissão e negociação de ativos, faltava um trilho de pagamento integrado à infraestrutura. Com a Mastercard investindo US$ 1,8 bilhão na BVNK para avançar em stablecoins, a corrida entre as bandeiras para liderar pagamentos on-chain ganha mais um capítulo. No Brasil, o Bradesco já avança em custódia cripto e stablecoins, sinalizando que a infraestrutura institucional para ativos digitais começa a se formar localmente.
O que observar
A participação de uma empresa com o porte da Visa como validadora de governança, e não apenas como usuária, marca uma inflexão no discurso de blockchain institucional. Se a rede escalar settlement de stablecoins com a privacidade que promete, a consequência prática é reduzir o atrito que hoje impede bancos de operar on-chain: exposição de dados de clientes e conflito com regulações de sigilo bancário.
O teste real será se a Canton Network consegue atrair volume de transações fora do horário tradicional de mercado, onde a liquidação atômica 24/7 tem vantagem clara sobre sistemas legados. Para mercados como o brasileiro, que já discutem tokenização via Drex e stablecoins via regulação do BC, a existência de infraestrutura global com privacidade nativa pode acelerar a ponte entre ativos tokenizados locais e liquidação internacional.
Fontes: Finextra • BusinessWire • PYMNTS • Let’s Money