A Visa trouxe ao Brasil o Visa Commercial Pay, plataforma B2B que digitaliza pagamentos corporativos com cartões virtuais emitidos sob demanda e sem plástico. A proposta é substituir reembolsos e transferências manuais por credenciais que entram direto na carteira digital do funcionário, com controle de gastos e conciliação automatizados para a área financeira.
Visa Commercial Pay em números
| Indicador |
Dado |
| Mercado global de pagamentos B2B |
Mais de US$ 200 tri por ano |
| Operação global da plataforma |
Desde 2020 (EUA, Europa, Ásia) |
| Status no Brasil |
1 banco fechado, 1 em negociação |
| Empresas que são PMEs na América Latina |
98% |
Dados sobre o lançamento do Visa Commercial Pay. Fonte: Bloomberg Línea
O que muda com o Visa Commercial Pay
A plataforma reúne cartões virtuais de uso único ou recorrente, pagamentos sob demanda, captura digital de comprovantes e automação da conciliação num aplicativo próprio. Colaboradores e gestores acompanham despesas e registram recibos pelo celular, enquanto a área financeira define limites de gasto, restrições por categoria de estabelecimento e monitora as transações em tempo real. Os casos de uso vão do gerenciamento de viagens corporativas ao pagamento de fornecedores.
As credenciais podem ser adicionadas a carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay, o que viabiliza o pagamento por aproximação sem cartão físico, no mesmo caminho que outras fintechs vêm trilhando ao integrar cartões virtuais às carteiras digitais. “Os pagamentos corporativos ainda têm um grande espaço para evolução, especialmente quando comparado à experiência do consumidor final”, destaca Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil.
A aposta da Visa no B2B
O lançamento no Brasil dá sequência a uma série de movimentos da bandeira em pagamentos corporativos. Em maio, a empresa unificou a emissão e a conciliação de cartões virtuais B2B num único hub global, e em abril levou agentes de IA para automatizar pagamentos corporativos. O mercado justifica o foco: pagamentos B2B movimentam mais de US$ 200 trilhões por ano no mundo, e o Commercial Pay opera desde 2020 em mercados mais maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia.
“É um mar de oportunidades. Falamos de fluxos de empresa para empresa (B2B), do governo para empresas e de empresas para pequenos negócios”, disse Ana Rojas, SVP e head de Soluções Comerciais e de Movimentação de Dinheiro para a América Latina e Caribe, em entrevista à Bloomberg Línea. A executiva lembrou que 98% das empresas da região são pequenas e médias. No Brasil, a Visa afirma já ter fechado com uma instituição financeira e negociar com outra, priorizando bancos que possuem serviços próprios de adquirência.
O que observar
A chegada da plataforma ao Brasil não significa disponibilidade imediata para toda empresa: o acesso depende de cada instituição financeira adotar a solução e oferecê-la à sua base. A priorização de bancos com serviços próprios de adquirência concentra o rollout inicial num grupo específico de emissores. Vale acompanhar se a digitalização do cartão corporativo reduz, na prática, a dependência de reembolsos e transferências manuais que ainda dominam as áreas de contas a pagar.
A pergunta operacional é de adoção. Emissores e adquirentes terão de integrar a emissão de credenciais virtuais aos fluxos de tesouraria das empresas clientes, e o ganho de eficiência só aparece quando a conciliação automática substitui processos em papel. Para o segmento de pequenas e médias empresas, que concentra a maior parte do tecido empresarial da região, o teste será se a curva de adoção acompanha a promessa de simplicidade.
Fontes: TI Inside • Bloomberg Línea