A Visa Conecta, iniciadora de transação de pagamento (ITP) lançada pela Visa no Brasil em junho de 2025, anunciou seu primeiro produto em produção: uma integração com a startup VaideBus que permite recarregar o cartão de ônibus pelo WhatsApp pagando via Pix com autenticação biométrica. O piloto acabou de entrar no ar em Sorocaba e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Como funciona a recarga
| Etapa |
O que acontece |
| 1. Conversa no WhatsApp |
Usuário informa número do cartão e valor da recarga |
| 2. Escolha do método |
Seleciona Pix por biometria no lugar do Pix com chave |
| 3. Vínculo da conta |
Na primeira vez, escolhe o banco e aprova a conexão via Open Finance |
| 4. Limite definido pelo usuário |
Define período e valor máximo das transações no app do banco |
| 5. Autenticação |
Confirma pagamento com biometria via Visa Payment Passkey |
| 6. Segurança |
Contas dos pagadores são tokenizadas, sem tráfego de dados abertos |
Fluxo descrito pela Visa Conecta e pela VaideBus. Fonte: Valor Econômico.
A jornada que o usuário não precisa reaprender
A VaideBus oferece recarga via WhatsApp desde 2022 e hoje opera em várias capitais, com 6 milhões de passagens vendidas, 650 mil pagamentos por Pix e 11 milhões de mensagens trocadas com usuários, segundo a empresa. O novo desenho mantém o passo a passo que o cliente já conhece: abre a conversa com o número da cidade, informa o cartão e o valor. Na hora de escolher o Pix, além da opção com chave, aparece a alternativa de pagamento por biometria.
“Para isso acontecer, você precisa fazer o vínculo da sua conta uma única vez”, explica Leonardo Enrique Silva, diretor executivo da Visa Conecta. “Isso foi algo que a gente discutiu bastante para não mudar a forma com que o usuário já interage com aquele número do WhatsApp.” A integração com a Visa Conecta acontece via Open Finance, com a lista de bancos aparecendo ao usuário na primeira vez que ele seleciona o método. A VaideBus, por sua vez, trata o lançamento como uma resposta direta à experiência de pagamento do segmento. “Acho que a gente está resolvendo nessa nova jornada uma dor muito latente desse segmento, que é a experiência de pagamento”, afirma André Garrido, diretor comercial da startup.
O que muda para a Visa Conecta
O anúncio marca o primeiro deploy público da ITP da Visa no país. Quando a empresa foi apresentada ao mercado, em junho de 2025, Leonardo Enrique afirmou em entrevista ao podcast Let’s Money que a Visa Conecta começava trazendo a tecnologia de um parceiro europeu de Open Banking “para justamente acelerar esse processo”. Dez meses depois, o piloto com a VaideBus é a primeira entrega concreta dessa promessa inaugural, e chega depois de o Let’s Money já ter acompanhado os passos regulatórios da empresa, como a aprovação do Banco Central para atuar como instituição de pagamento e a mais recente liberação para operar também no mercado de câmbio.
Por trás do novo fluxo está a Visa Payment Passkey, tecnologia que a bandeira vem usando em autenticação biométrica de transações com cartão e que agora aparece aplicada a uma jornada 100% via Pix. “A gente já tokeniza todas as contas dos pagadores. Então, esse é um processo super importante, não trafega informação aberta durante esse fluxo de pagamento, são informações tokenizadas”, detalha Silva. Sorocaba e Ribeirão Preto foram escolhidas pela VaideBus como praças-piloto por concentrarem volumetria relevante da operação.
O que observar
O caso coloca em operação, dentro de um caso de uso de baixo ticket e alta recorrência, um conjunto de elementos que vinham sendo testados separadamente no Brasil: iniciação de pagamento via Open Finance, autenticação por passkey biométrico e tokenização de conta. Vale acompanhar se esse modelo de vínculo único e limites definidos pelo usuário ganha tração para além do transporte público, especialmente em verticais de baixo valor e alta frequência como alimentação, aplicativos de mobilidade e serviços recorrentes. Para iniciadoras de pagamento que disputam o mesmo mercado, o piloto sinaliza que o diferencial começa a migrar da simples existência do fluxo de iniciação para a qualidade da jornada e o tempo de vínculo, e a pergunta que fica é se o ganho de atrito reduzido será suficiente para puxar conversão acima do patamar das chaves Pix tradicionais.
Fontes: Valor Econômico • Finsiders Brasil • Visa • Let’s Money Podcast: Leonardo Enrique, Visa Conecta