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Visa: só 23% dos americanos confiam em IA para pagar

Pesquisa Visa Trust Index mostra que só 23% dos consumidores dos EUA confiam em IA generativa para pagar por eles, contra 72% que já usam assistentes.

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· 3 min

Atualizado em

Shutterstock

A adoção de inteligência artificial já é regra entre consumidores dos Estados Unidos, mas confiar dinheiro a ela ainda não é. Segundo o Visa Trust Index, apenas 23% dos consumidores americanos confiam em IA generativa para conduzir pagamentos em seu nome, mesmo com 72% já tendo usado algum assistente de IA. O recorte é o pagamento agêntico, quando um agente de software fecha a compra sozinho depois de receber uma instrução do usuário.

O que os consumidores dos EUA dizem sobre IA e pagamentos

Indicador Resultado
Já usaram um assistente de IA 72%
Confiam em IA generativa para pagar por eles 23%
Confiariam na Visa para transações agênticas 61%

Pesquisa autodeclarada com consumidores dos EUA. Fonte: Finextra / Visa Trust Index

A confiança muda quando a marca de pagamento entra em cena

A pesquisa, conduzida pela Harris Poll com 2.065 consumidores dos EUA entre 26 e 28 de maio, sugere que o público separa a ferramenta de IA que usa da marca de pagamento em que confia. Quando a pergunta envolve quem processa a transação, a confiança sobe: 61% dos respondentes disseram que confiariam na Visa para conduzir transações agênticas, o maior índice entre as marcas testadas na própria pesquisa.

O dado ajuda a explicar por que as bandeiras vêm correndo para se posicionar como a camada de confiança do comércio agêntico. Nos últimos meses, a Visa fez um lojista fechar a primeira compra com agente de IA em seu programa, e testou com a Revolut uma compra por agente autenticada com passkey na França. No Brasil, a infraestrutura também começa a aparecer, com a Teller colocando no ar a primeira jornada de pagamento agêntico no Pix.

Adoção alta, confiança baixa

O contraste entre os 72% que já experimentaram um assistente de IA e os 23% que o deixariam pagar mostra o tamanho da distância entre usar a tecnologia e delegar dinheiro a ela. Para a Visa, esse é o gargalo que decide o ritmo da próxima onda de comércio.

“Ainda estamos nos primeiros dias, mas a confiança será fundamental para impulsionar a adoção do comércio agêntico. Os consumidores vão recorrer cada vez mais a experiências e marcas de pagamento confiáveis à medida que colocam agentes de IA para comprar em seu nome”, disse Oliver Jenkyn, group president da Visa.

O que observar

Pesquisa patrocinada por marca de pagamento tende a reforçar a tese de quem a encomenda, e o número que mais interessa à indústria é o da confiança de marca, não o da adoção. Vale acompanhar se bandeiras, bancos e carteiras vão disputar esse papel de camada de confiança do agente, e com quais garantias, já que a diferença entre 23% e 61% aponta que o obstáculo à adoção é menos a tecnologia e mais quem responde pela transação quando o agente erra.

A pergunta operacional é o que substitui o clique humano de confirmação: autenticação por biometria, limites de gasto por agente, regras de estorno. Se a confiança for o ativo escasso, o segmento mais impactado é o de quem opera a infraestrutura de autenticação e liquidação, que precisará provar responsabilidade clara sobre falhas antes que o consumidor entregue o cartão ao software.

Fontes: FinextraVisaLet’s MoneyLet’s Money

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