A Visa vai abrir os dados de liquidação da sua rede a credores que operam onchain, ou seja, em blockchain, para financiar programas de cartão ligados a stablecoin, a moeda digital atrelada ao dólar. A meta é destravar capital de giro para fintechs. Desde 2020, protocolos do tipo já emprestaram mais de US$ 694 bilhões em stablecoin, segundo a Visa.
A escala da Visa em stablecoin
| Indicador |
Número |
| Empréstimos onchain em stablecoin (desde 2020) |
US$ 694 bi |
| Programas de cartão em stablecoin na rede Visa |
160+, volume +200% a/a |
| Liquidação em stablecoin da Visa |
Taxa anualizada acima de US$ 20 bi, +15x a/a |
Dados autodeclarados pela Visa. Fonte: Finextra
Da rede de pagamentos à rede de crédito
A empresa passa a combinar os dados de liquidação da VisaNet, sua rede de compensação, com a infraestrutura de crédito onchain. A ideia é que essas informações ajudem credores a entender como um programa de cartão opera e a avaliar oportunidades de financiamento sob medida. Na prática, a Visa empresta seu histórico de transações para que capital chegue mais rápido a quem emite cartões atrelados a moeda digital.
“As stablecoins não estão só mudando como o dinheiro se move, estão criando oportunidades para repensar a infraestrutura financeira que sustenta os pagamentos”, disse Rubail Birwadker, chefe global de produtos de crescimento e parcerias da Visa. O movimento acompanha a escalada desse tipo de cartão: são mais de 160 programas ligados a stablecoin na rede, com volume de pagamento crescendo quase 200% ano contra ano.
O apetite por crédito em stablecoin
O volume de liquidação em stablecoin da Visa superou recentemente uma taxa anualizada de US$ 20 bilhões, mais de 15 vezes o patamar de um ano atrás. Boa parte do crédito onchain, porém, ainda circula dentro do mercado cripto e pouco sustenta os negócios do dia a dia, reconhece a própria companhia. É o mesmo ambiente em que stablecoins miram o modelo de Visa e Mastercard.
A Visa não parte do zero nesse desenho. Uma versão inicial do modelo, desenvolvida com a Credit Coop, financiou mais de US$ 2,5 bilhões em volume de liquidação acumulado desde 2023, sem calotes nas operações participantes, segundo a Decrypt. A companhia também já vinha ampliando apostas no setor: em agosto, a Visa fechou um acordo de stablecoin com um grupo coreano, o Shinhan.
O que observar
A leitura de dados de liquidação como insumo de crédito coloca as bandeiras de cartão num papel novo: o de fonte de informação para credores, não só de trilho de pagamento. Vale acompanhar se emissores de cartão atrelado a stablecoin e fintechs de crédito vão tratar esse histórico como diferencial de custo de capital, e se protocolos de empréstimo onchain conseguem migrar do público cripto para o financiamento de operações do varejo cotidiano.
A pergunta operacional é como reguladores e integradores vão enquadrar o crédito lastreado em moeda digital quando ele deixar o nicho e passar a financiar capital de giro. Se o histórico de inadimplência baixa se mantiver fora do ambiente cripto puro, o modelo pode atrair credores tradicionais para um mercado hoje concentrado em poucos atores.
Fontes: Finextra • Decrypt • Let’s Money • Let’s Money