A Visa, uma das maiores bandeiras de cartões em operação no Brasil, vai cortar cerca de 2.600 postos de trabalho, o equivalente a 7% do seu quadro global. As áreas de tecnologia e produto concentram a maior parte dos desligamentos, enquanto a companhia reorganiza a operação para o que chama de era da inteligência artificial.
Visa: o corte em números
| Indicador |
Dado |
| Vagas cortadas |
Cerca de 2.600 |
| Fatia do quadro global |
7% |
| Áreas mais afetadas |
Tecnologia e produto |
| Quadro no ano fiscal 2025 |
Havia crescido 8% |
| Movimento anterior no setor |
Mastercard cortou cerca de 4% |
Reestruturação anunciada em 28 de julho de 2026. Fonte: Finextra
IA acelera o corte, mas não é a única causa
O CEO Ryan McInerney confirmou os desligamentos em um memorando à equipe, revelado primeiro pela Bloomberg. Segundo o texto, a inteligência artificial vem reduzindo tarefas repetitivas e encurtando o ciclo de desenvolvimento de produtos. “Para capturar as oportunidades à frente e posicionar a Visa para liderar essa transformação, precisamos continuar evoluindo a forma como trabalhamos”, diz o memorando, que acrescenta: “A IA também está ajudando a acelerar essa evolução e moldar como o trabalho é feito na Visa” (em tradução livre).
A IA não é o único motivo. A Bloomberg registra que a empresa havia ampliado o quadro em 8% no ano fiscal de 2025, e o corte também responde a uma busca por eficiência. A Visa aposta em IA em outras frentes, caso do assistente de inteligência artificial que lançou para apps de banco.
Verba realocada para stablecoin, cross-border e B2B
O capital liberado deve ser reinvestido em pagamentos ao consumidor, soluções comerciais e de movimentação de dinheiro, além de serviços de valor agregado. Nessa última categoria entram stablecoin, pagamentos internacionais e ofertas B2B, segundo a Bloomberg. A companhia divulga seus resultados trimestrais na terça-feira.
O movimento segue a decisão da rival Mastercard, que reduziu cerca de 4% do quadro no início do ano. A onda de cortes atribuída à automação já alcançou bancos e fintechs nos últimos meses, de operações que enxugaram o time apostando em agentes de IA a reestruturações em plataformas de investimento. “Como resultado das escolhas que fizemos nos últimos anos, estamos entrando em uma nova era no comércio com um negócio que tem verdadeiro momentum”, escreveu McInerney (em tradução livre).
O que observar
Quando duas das maiores bandeiras de pagamento cortam quadro no mesmo ano e apontam a automação como parte da explicação, o sinal mais direto recai sobre times de tecnologia e produto do setor financeiro. Vale acompanhar se a realocação de verba para stablecoin, pagamentos internacionais e serviços B2B se traduz em novas contratações nessas frentes, ou se a eficiência prometida pela IA reduz de forma estrutural o tamanho das equipes. O próximo balanço trimestral deve dar as primeiras pistas de como esse rearranjo afeta receita e margem.
Fontes: Finextra • Visa lança assistente de IA para apps de banco • Solaris corta time e aposta em IA