A Visa vai construir a camada de tecnologia que permite a bancos transformar depósitos tradicionais em dinheiro programável e disponível 24 horas, sem tirar os recursos do balanço. O movimento dá às instituições uma resposta direta às stablecoins, e a empresa já mira o mercado brasileiro para 2026.
Visa no fórum de pagamentos 2026
| Indicador |
Número |
| Liquidação em stablecoin (run rate anualizado) |
~US$ 7 bi (mar/2026) |
| Programas de cartão ligados a stablecoin |
+160 (ativos ou em desenvolvimento) |
| Anúncio de depósito tokenizado |
Visa Payments Forum, 10/jun/2026 |
Números do Visa Payments Forum 2026. Fonte: Visa
A resposta dos bancos à era das stablecoins
O anúncio saiu no Visa Payments Forum, em 10 de junho de 2026. A ideia é dar aos bancos uma forma de igualar a velocidade e a flexibilidade das stablecoins sem mover os recursos para fora do balanço: o depósito continua sendo um passivo da instituição, mas passa a circular como token programável em blockchain. “A IA está transformando a ponta do consumo. As stablecoins estão remodelando os bastidores”, disse Jack Forestell, diretor de produto e estratégia da Visa, em tradução livre.
A aposta acompanha um movimento mais amplo de bancos que preferem o depósito tokenizado à stablecoin para manter controle regulatório e contábil. Nos Estados Unidos, grandes bancos preparam uma alternativa própria de depósito tokenizado às stablecoins, e o Banco da Inglaterra prioriza depósitos tokenizados antes das stablecoins. No mesmo fórum, a Visa também fechou parceria com a OpenAI no comércio agêntico. A própria Visa diz já ter movimentado bilhões de dólares em stablecoins pela VisaNet, com run rate anualizado de cerca de US$ 7 bilhões em março de 2026, e mantém mais de 160 programas de cartão ligados a stablecoin ativos ou em desenvolvimento.
O que a Visa já planeja para o Brasil
O Brasil está no radar. Antônia Souza, diretora de Blockchain e Ativos Digitais da Visa para a América Latina, afirmou que conversou com quase todos os bancos do Brasil e da região sobre o tema e que todos demonstram interesse concreto. A empresa espera colocar produtos de stablecoin e finanças programáveis na rua em 2026, incluindo recursos baseados em contratos inteligentes.
O contexto local tem uma camada a mais: a infraestrutura da Visa Tokenized Asset Platform pode conviver com o Drex, a moeda digital do Banco Central, e com stablecoins lastreadas em real. Rodrigo Cury, presidente da Visa no Brasil desde outubro de 2025, classificou as stablecoins como tema super interessante para a operação brasileira, segundo o BlockNews.
O que observar
A pergunta central é de custódia e balanço. O depósito tokenizado promete a programabilidade da stablecoin sem tirar o dinheiro do passivo bancário, o que reposiciona quem disputa a infraestrutura de liquidação: emissores de stablecoin de um lado, bancos e suas plataformas de tokenização de outro. Vale acompanhar se as instituições financeiras de grande porte vão adotar uma camada de tecnologia de terceiros ou construir a própria, e qual padrão prevalece quando o token precisa transitar entre balanços de bancos diferentes.
No Brasil, o teste é de convivência. Com o Drex em fase de pilotos e a expectativa de stablecoins lastreadas em real, o desenho regulatório vai definir se depósito tokenizado, moeda digital de banco central e stablecoin privada competem pelo mesmo caso de uso ou se dividem o mercado por tipo de transação. A pergunta que fica é qual deles resolve primeiro o problema prático de liquidação instantânea entre instituições sem fricção de conversão.
Fontes: Finextra • Visa • PYMNTS • BlockNews