A Visa fechou uma parceria com a OpenAI para levar seus pagamentos ao comércio conduzido por agentes de inteligência artificial. O anúncio veio no Fórum de Pagamentos Visa, ao lado de um pacote de novidades em IA, tokens e stablecoins que prepara a rede para transações iniciadas por software.
O que a Visa anunciou no fórum
| Frente |
Anúncio |
| Parceria OpenAI |
Pagamentos da Visa no comércio agêntico da OpenAI |
| Agent Score |
Mede se sites de lojistas estão prontos para agentes de IA |
| Liquidação em stablecoin |
US$ 7 bi movimentados pela VisaNet até março de 2026 |
| Cartões com stablecoin |
Mais de 160 programas no mundo |
Anúncios no Fórum de Pagamentos Visa, junho de 2026. Fonte: TIInside
O que a parceria com a OpenAI muda
Pela colaboração, a rede global, as capacidades de credenciamento e a infraestrutura de segurança da Visa passam a dar suporte a experiências de comércio agêntico dentro da OpenAI. Na prática, um agente de IA agindo em nome do consumidor poderá iniciar e concluir uma compra usando credenciais tokenizadas da Visa, com autorização em tempo real.
“A IA está transformando o front-end do comércio e as stablecoins estão mudando o back-end”, disse Jack Forestell, diretor de Produtos e Estratégia da Visa. A empresa apresentou também o Visa Intelligent Commerce, sua plataforma de comércio agêntico, e ferramentas como o Agent Score, que permite a um lojista avaliar se seu site está pronto para ser navegado por agentes. A disputa sobre quem controla o cliente no comércio agêntico ganha um capítulo a mais, num momento em que a maior parte dos lojistas ainda não está pronta para agentes.
Stablecoins e tokens no back-end
No lado da liquidação, a Visa informou que o volume de stablecoins movimentado pela VisaNet atingiu um total anual de US$ 7 bilhões até março de 2026, partindo dos primeiros pilotos no início de 2025. A empresa expande ainda os cartões vinculados a stablecoins, com mais de 160 programas em operação ou desenvolvimento no mundo, e anunciou depósitos tokenizados para que bancos convertam saldos tradicionais em dinheiro digital programável sem sair do balanço.
O movimento acompanha uma corrida do setor. A própria Visa vem testando stablecoins em múltiplas blockchains, enquanto concorrentes ligam a liquidação 24 horas a stablecoins reguladas. A modernização se apoia em peças que a Visa já tinha em casa, como a plataforma bancária Pismo, comprada pela companhia e hoje presente em dezenas de países.
O que observar
A aposta levanta uma pergunta operacional para emissores e credenciadores: como autorizar com segurança uma compra que nenhum humano clicou. A resposta da indústria passa por enriquecer os tokens com sinais de comportamento e identidade, mas isso só reduz fraude se os modelos de risco aprenderem a distinguir um agente legítimo de um automatizado malicioso. Vale acompanhar se diretórios de agentes verificados viram padrão aberto de mercado ou se cada rede tenta impor o seu.
Para o varejo, o gargalo é anterior ao pagamento. Se boa parte dos sites ainda não é navegável por agentes, o ganho de conversão prometido depende de uma camada de adequação técnica que leva tempo. O teste real será o primeiro ciclo de compras em escala feitas por agentes, quando ficará claro se a fricção cai de fato ou apenas muda de lugar.
Fontes: TIInside • Visa