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Visa vê pagamento entre empresas como maior aposta em IA

Para a Visa, os pagamentos entre empresas são a maior oportunidade dos agentes de IA, à frente do varejo, mas o Brasil ainda precisa digitalizar.

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· 3 min

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frantic00 / Shutterstock.com

A Visa vê nos pagamentos entre empresas a maior oportunidade para os agentes de inteligência artificial, à frente do varejo. Para a companhia de cartões, o volume das transações B2B e o excesso de etapas manuais fazem do segmento corporativo o terreno mais fértil para a tecnologia. No Brasil, segundo a executiva à frente da área, o passo anterior ainda é digitalizar.

Onde os agentes de IA atuam em pagamentos B2B, segundo a Visa

Estágio Tarefas
Agora (mais simples) Pagamento de contas, contas a pagar, transações repetitivas com supervisão humana
Próximo (mais complexo) Compras corporativas, fornecedores, tesouraria, gestão de caixa, pagamentos internacionais

Estágios de adoção de agentes de IA em pagamentos B2B, segundo a Visa. Fonte: Valor Econômico

Por que o B2B é a maior aposta

A leitura da Visa parte do tamanho do mercado. “A oportunidade no espaço B2B [transações entre empresas] é grande e até maior [que o varejo] por causa do tamanho dos pagamentos B2B, mas também pela quantidade de atritos e dificuldades que existem hoje nessas transações”, disse Ivy Lee, vice-presidente de soluções agênticas para empresas e governos da Visa. Nesse cenário, os agentes deixam de ser apenas ferramentas de compra e passam a gerenciar contas a pagar, tesouraria e movimentação de recursos.

Os casos de uso mais avançados ainda são simples. “Estamos vendo a indústria começar por pagamento de contas, contas a pagar e algumas transações mais simples”, afirmou Lee. “Todas essas pequenas etapas manuais e repetitivas são ótimas para um agente assumir.” Um exemplo citado é a fintech americana Ramp, de gestão de despesas, em que uma empresa define regras de valor e prazo para que o agente quite faturas com cartão corporativo sem nova aprovação. É o mesmo terreno em que a Visa vem tentando reduzir o atrito nos pagamentos B2B.

O ecossistema como gargalo

O entusiasmo vem com ressalva. Para Lee, a principal barreira não é a tecnologia, e sim montar a rede que permite ao agente operar: emissores, adquirentes, plataformas de software e estabelecimentos precisam estar prontos. “Uma coisa é ter um agente. Outra é onde esse agente pode comprar, onde ele pode fazer uma transação”, afirmou. “Todo o ecossistema precisa participar para isso funcionar.” A própria infraestrutura da bandeira passa pelo Visa Intelligent Commerce, lançado em 2025, e por movimentos como a parceria com a OpenAI no comércio agêntico. No varejo, porém, só parte do ecossistema de adquirentes e lojistas está pronta.

No Brasil, o caminho é mais longo. “Uma plataforma digital onde um agente possa atuar é um pré-requisito obrigatório”, disse Lee. “Primeiro, é preciso se digitalizar, usar IA generativa e depois avançar para agentes.” Ela apontou que mercados da Ásia-Pacífico, como Singapura e China, registram mais tração, enquanto parte da Europa segue manual. No mercado brasileiro, onde os pagamentos corporativos ainda não são amplamente digitais, a migração para plataformas digitais vem antes da escala dos agentes, ainda que iniciativas como a primeira jornada de pagamento agêntico no Pix já apontem a direção.

O que observar

A disputa pelo comércio agêntico está migrando do varejo, onde o caso de uso é mais óbvio, para o back-office corporativo, onde o dinheiro é maior e o atrito também. Vale acompanhar se as bandeiras conseguem transformar contas a pagar e tesouraria em fluxos que um agente executa sob regras, sem que cada etapa volte para aprovação humana. O gargalo declarado não está no agente em si, e sim no ecossistema: emissores, adquirentes, plataformas de ERP e estabelecimentos precisam falar a mesma língua para o modelo rodar.

Para o Brasil, a leitura é direta: o pré-requisito é digitalizar processos corporativos ainda muito manuais. Enquanto a infraestrutura de pagamentos instantâneos como o Pix avança no varejo, o B2B segue preso a boletos, conciliação manual e aprovações em cadeia. A pergunta é se a régua da automação agêntica acelera essa digitalização, ou se apenas amplia a distância entre quem já digitalizou e quem ainda não começou.

Fontes: Valor EconômicoVisaThe Paypers

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