Os pagamentos realizados online e em aplicativos já representam 26% do volume de pagamentos domésticos com cartões Visa no Brasil, ante 17% em 2019, uma alta de 9 pontos percentuais, ou 53% em termos relativos. É o que mostra um novo estudo da Visa Business and Economic Insights (VBEI), que analisa o avanço da chamada “economia do sofá”: a tendência de consumidores realizarem cada vez mais atividades do dia a dia por canais digitais, de compras pelo celular e gestão de assinaturas a streaming e delivery.
O levantamento, intitulado “The Great Indoors: How the Couch Economy Is Redefining Consumer Spending Habits”, usa dados agregados e anonimizados de transações da VisaNet com credenciais Visa de crédito, débito e pré-pago em seis mercados: Austrália, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Polônia e Reino Unido.
A economia do sofá no Brasil
Indicador (cartões Visa no Brasil)
Antes
Agora
Fatia do volume de pagamentos domésticos feita online e em aplicativos
17% (2019)
26%
Variação dessa fatia
+9 pontos percentuais (+53%)
Cartões ativos com dez ou mais pagamentos online ou em aplicativos por mês
3,7% (2018)
8,1% (2026)
Avanço dessa proporção
2,2 vezes o patamar de 2018
Estudo da Visa Business and Economic Insights com dados da VisaNet. Fonte: Visa
“Os dados indicam que o brasileiro incorporou o digital à rotina, mantendo as experiências presenciais como parte importante de seus hábitos. O e-commerce deixou de ser apenas uma alternativa e se consolidou como um canal complementar no dia a dia”, afirma Tiago Moherdaui, vice-presidente da Visa Consulting & Analytics.
Pagamentos digitais se tornam mais frequentes no Brasil
Além de ganhar participação no volume de pagamentos, o uso recorrente dos canais digitais também cresceu no país. Em 2018, 3,7% dos cartões ativos no Brasil realizavam dez ou mais pagamentos online ou em aplicativos por mês. Em 2026, essa proporção chegou a 8,1%, equivalente a 2,2 vezes o patamar de 2018.
O avanço indica que os canais digitais passaram a ocupar espaço mais frequente na rotina de consumo, à medida que atividades antes realizadas em lojas podem ser concluídas pelo celular, como compras, contratação de serviços e gestão de assinaturas.
Publicidade
Da ida ao cinema ao streaming na sala de casa
O movimento vai além das compras. Nos seis mercados analisados, incluindo o Brasil, a parcela de cartões com gastos em streaming e TV por assinatura supera a parcela associada a cinemas e shows. Mesmo após a retomada das atividades presenciais, essa relação se manteve, indicando que o entretenimento em casa passou a ocupar um espaço recorrente nos hábitos de consumo. Modelos de receita recorrente, como assinaturas, ganham importância ao lado das experiências presenciais.
Conveniência conecta diferentes hábitos de consumo
O estudo usa os gastos regulares em estabelecimentos voltados a pets como indicador aproximado da presença de animais de estimação nos lares. No Brasil, a análise identifica crescimento nessa categoria entre 2019 e 2026, embora em ritmo mais moderado do que em alguns dos demais mercados avaliados.
Para os estabelecimentos comerciais, o cenário reforça a relevância da presença em aplicativos, de jornadas simples de checkout, da entrega eficiente, de programas de fidelidade e de ofertas personalizadas. Para emissores, o estudo aponta maior relevância do engajamento digital recorrente, da gestão de assinaturas e de benefícios ligados às rotinas de consumo.
“A ‘couch economy’ não significa que as pessoas necessariamente ficam mais em casa, mas que um número crescente de atividades pode ser realizado a partir de casa. Enquanto mercados como os Emirados Árabes Unidos apresentam crescimento mais acelerado na adoção das compras online, o Brasil segue uma trajetória mais gradual. Os dados sugerem que o mercado brasileiro está avançando da fase de adoção para uma etapa de maior consolidação”, afirma Moherdaui.
O que observar
Os dados interessam a varejistas, plataformas de entrega e emissores que planejam canais de venda e programas de relacionamento. O estudo mede o comportamento pelas transações com cartão; o Let’s Money já mostrou quantos pagamentos com cartão os brasileiros fazem por dia. Vale acompanhar se a fatia de pagamentos online e em aplicativos e a recorrência mensal desse uso seguem em alta nas próximas edições do levantamento.