A Visa assinou um memorando de entendimento com o Shinhan Financial Group, um dos maiores conglomerados financeiros da Coreia do Sul, para que o grupo use a plataforma de stablecoin que a bandeira apresentou em julho de 2026. O acordo, anunciado em 26 de agosto de 2026, também abre espaço para modelos de pagamento baseados em inteligência artificial.
O que o acordo entre Shinhan e Visa prevê
| Frente |
O que está previsto |
| Uso da plataforma |
Verificar funções básicas: emissão, remessa e resgate |
| Pilotos |
Stablecoins na liquidação de pagamentos com cartão |
| Desenvolvimento conjunto |
Modelos futuros de pagamento baseados em IA |
| Transações |
Entre empresas (B2B) e entre empresa e consumidor (B2C) |
| Empresas do grupo |
Incluem Shinhan Bank, Shinhan Card e Jeju Bank |
Escopo do memorando de entendimento entre Shinhan Financial Group e Visa. Fonte: Finextra
A plataforma de stablecoin que a Visa apresentou em julho
O produto no centro do acordo tem menos de dois meses. Em 16 de julho de 2026, a bandeira apresentou a Visa Stablecoin Platform, ambiente em que instituições podem emitir, resgatar, manter e transferir stablecoins sem montar cada peça da infraestrutura por conta própria. A empresa opera em mais de 200 países e territórios. Poucos dias depois, o Let’s Money mostrou que a Visa criou uma carteira para bancos moverem stablecoin dentro desse mesmo ambiente.
“Com a Visa Stablecoin Platform, estamos dando aos nossos clientes um único lugar para emitir, movimentar e administrar operações de stablecoin, com os controles, a segurança e o alcance de rede que eles já esperam da Visa”, afirmou Jack Forestell, diretor de produto e estratégia da Visa, no comunicado de lançamento, em tradução livre. A plataforma começa a operar com o Open USD, stablecoin compartilhada criada pelo consórcio Open Standard. A Fortune reportou que a plataforma foi desenhada para levar serviços de stablecoin a mais de 200 milhões de estabelecimentos comerciais.
Quem é o Shinhan e o que entra no teste
O Shinhan é um dos cinco grandes grupos financeiros da Coreia do Sul, segundo a Finextra, e as subsidiárias que vão participar do projeto incluem Shinhan Bank, Shinhan Card e Jeju Bank. O grupo reportou lucro líquido de 1,82 trilhão de wones, cerca de US$ 1,3 bilhão, no trimestre mais recente, de acordo com o crypto.news. O uso da plataforma começa pela verificação das funções básicas, e o desenho de um modelo ajustado ao sistema financeiro coreano é parte declarada do trabalho conjunto.
“Vamos continuar combinando as capacidades financeiras do Shinhan com a infraestrutura global da Visa para desenhar juntos novos modelos financeiros e oferecer aos clientes experiências financeiras diferenciadas”, disse Jin Ok-dong, presidente do Shinhan Financial Group, em declaração reproduzida pela Finextra, em tradução livre. O movimento de instituições que passam a operar stablecoin por trilhos de terceiros vem se repetindo: em agosto de 2026, a Stripe liberou pagamento em stablecoin para empresas na União Europeia.
O que observar
Testar emissão, remessa e resgate é a parte barata do problema. O ponto de atrito aparece quando o piloto tenta encostar na liquidação de pagamentos com cartão, que envolve prazos de compensação, garantias e conciliação com sistemas que já rodam há décadas. Vale acompanhar se os testes de grupos financeiros de grande porte avançam do laboratório para volume transacionado, e em quanto tempo.
A segunda pergunta é de arquitetura. Bancos, emissores de cartão e adquirentes precisam decidir quanto da infraestrutura de ativo digital constroem em casa e quanto contratam de redes externas. Se o modelo de plataforma administrada por um provedor global se firmar, a disputa entre fornecedores tende a sair do acesso ao ativo e migrar para o controle do fluxo de tesouraria, das regras de aprovação e da custódia das reservas.
Fontes: Finextra • Visa • The Block • Fortune • crypto.news