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Vitório leva crédito estruturado a Minas Gerais

Fintech quer transformar indústrias mineiras em credoras de suas cadeias, capturando margem que hoje fica nos bancos

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· 2 min

Minas Gerais acaba de entrar na rota do crédito privado estruturado. A Vitório, fintech B2B liderada por Rafael Nakamoto, começou a operar no estado com uma proposta direta: transformar grandes indústrias em credoras de suas próprias redes de distribuição. A ideia é tirar dos bancos tradicionais a intermediação financeira que já acontece de forma informal dentro das cadeias produtivas.

Por que Minas Gerais atrai a fintech de crédito

A escolha do estado não é casual. Minas concentra 40% das exportações industriais do Brasil e abriga cadeias complexas em metalurgia, mineração e farmacêutica. Nesses setores, a indústria já financia seus clientes ao oferecer prazos longos de pagamento, mas sem governança ou retorno financeiro adequados.

“Em estados com forte base industrial, quem financia o crescimento da cadeia não é o banco, é a própria indústria, mas de forma informal e com baixo retorno”, explica Nakamoto, segundo reportagem do O Tempo. A Vitório propõe profissionalizar esse fluxo por meio de FIDCs, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, permitindo que a empresa capture a margem financeira que hoje fica retida nas instituições bancárias.

Modelo de negócio e momento de mercado

A fintech chega ao mercado com R$ 25 milhões em capital, combinando equity e funding. O modelo usa inteligência artificial e analytics para análise de risco, aproveitando a experiência que Nakamoto acumulou em cases como Boa Vista e Conductor, atual Dock.

O timing é favorável. O mercado brasileiro de FIDCs saltou de R$ 300 bilhões para R$ 800 bilhões em apenas dois anos, refletindo um reposicionamento estrutural do sistema financeiro. Minas Gerais, pela densidade de cadeias B2B, está no centro dessa transformação.

Apesar da liquidez atual, Nakamoto mantém cautela técnica. Ele alerta que avanços regulatórios, como o das duplicatas escriturais, não eliminam o risco de crédito inerente ao segmento de pequenas e médias empresas. Por isso, a estratégia da Vitório foca em execução disciplinada e número restrito de operações, priorizando geração de caixa em um cenário de juros voláteis. A aposta é que a proximidade com a cadeia produtiva compense a volatilidade do ambiente macro.

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