Os cinco maiores bancos de Wall Street somaram US$ 114 bilhões em receita de mercado de capitais no primeiro semestre de 2026, alta de 31,5% em um ano. O motor declarado é o financiamento do boom de inteligência artificial, e um analista de peso já compara o momento às duas últimas grandes ondas do setor, que terminaram em queda.
Semestre recorde em Wall Street (1º semestre de 2026)
| Indicador |
Número |
| Receita de mercado de capitais (5 bancos) |
US$ 114 bi |
| Variação sobre um ano antes |
+31,5% |
| Parcela vinda de ações no aumento |
Mais da metade |
| Alta isolada do Goldman Sachs |
US$ 7,1 bi |
Receita de mercado de capitais no 1º semestre de 2026. Fonte: Yahoo Finance
Como a IA virou a linha de cima dos balanços
O total junta cinco pesos-pesados do setor: Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan, Citi e Bank of America. As ações responderam por mais da metade do avanço, puxadas por rotação de carteira, oscilações fortes de preço e saldos maiores dos investidores. Boa parte da atividade orbita a corrida de capital de empresas de tecnologia e infraestrutura ligada à IA.
O maior salto veio do Goldman Sachs, com US$ 7,1 bilhões a mais em mercado de capitais depois de assessorar o IPO da SpaceX e a captação de ações da Alphabet. Nos resultados do segundo trimestre, o banco quase dobrou o lucro com o boom de trading, e o Citi superou todas as estimativas. Para Mike Mayo, analista do Wells Fargo, a IA é o “principal motor de lucro” dos grandes bancos neste ano.
O ciclo está no começo, mas o alerta já apareceu
O Morgan Stanley estima que a construção da infraestrutura de IA vai consumir US$ 10 trilhões ao longo de vários anos. Segundo o CEO Ted Pick, o mercado percorreu só “10% a 15%” do ciclo de investimento, o que sustenta a expectativa de mais captações e negócios. A Anthropic já conversa com investidores para abrir capital em outubro de 2026, com Morgan Stanley, Goldman e JPMorgan no sindicato, enquanto a rival OpenAI planeja seu próprio IPO depois.
Os próprios executivos sinalizaram cautela. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, disse que o ambiente “está chegando perto do melhor que pode ficar” (em tradução livre), e o CFO Jeremy Barnum admitiu ser “um pouco difícil de imaginar” a área de trading repetir o recorde. Mayo lembra que as duas últimas grandes ondas de mercado de capitais terminaram em quedas abruptas, com o estouro das pontocom e a crise do subprime. “Existe um potencial enorme de ter a viagem da sua vida, mas você também pode se machucar seriamente” (em tradução livre), afirmou o analista. No Brasil, o BTG já alertou que a IA vira risco para o sistema financeiro.
O que observar
O ponto sensível é a dependência de uma única tese. Quando mais da metade do crescimento de um semestre recorde se apoia em trading e em taxas de assessoria ligadas a um mesmo ciclo de investimento, o resultado fica exposto ao ritmo desse ciclo. Vale acompanhar se a receita de bancos de investimento se mantém quando a fila de IPOs de tecnologia esvaziar, e se as bancas de trading conseguem sustentar volumes fora de janelas de alta volatilidade. A pergunta que fica é quanto do lucro é estrutural e quanto é maré alta.
Fontes: Yahoo Finance • Let’s Money • Let’s Money