A Wealth.com, fundada pelos brasileiros Rafael Loureiro e Rei Carvalho, captou US$ 65 milhões em uma Série B oversubscribed, com participação de Google Ventures e Citi Ventures. A plataforma de inteligência artificial para gestão de patrimônio já serve os três maiores broker-dealers dos Estados Unidos e prepara a abertura de escritório em Nova York em maio.
Série B da Wealth.com em US$ 65 milhões
| Item |
Dado |
| Valor |
US$ 65 milhões |
| Tipo de rodada |
Série B, oversubscribed |
| Investidores |
Google Ventures, Citi Ventures, Titanium Ventures, Pruven Capital, The K Fund, Dynasty Financial Partners, Charles Schwab, 53 Stations, Anthos Capital, Alumni Ventures |
| Crescimento em IA |
664% ano a ano em workflows apoiados por IA |
| Alcance |
Três maiores broker-dealers dos EUA, mais de 50 mil assessores financeiros |
| Uso dos recursos |
IA e produto, aquisições, distribuição enterprise, sede em Nova York em maio |
Dados da Série B oversubscribed da Wealth.com. Fonte: Finextra
Quem são os brasileiros por trás da Wealth.com
Rei Carvalho, hoje presidente do conselho, nasceu no Brasil e começou a carreira no setor de provedores de internet antes de mudar para os Estados Unidos. Em 2012, fundou a Emailage, empresa de prevenção a fraude online comprada pela LexisNexis Risk Solutions em março de 2020. Rafael Loureiro, CEO da Wealth.com, era o CTO da Emailage e acumula mais de 20 anos de experiência em tecnologia entre Brasil e EUA.
A dupla lançou a Wealth.com em 2022 para reescrever o fluxo de planejamento sucessório e tributário nos escritórios de assessoria financeira americanos, um nicho tradicionalmente dependente de planilhas, documentos em PDF e rodadas manuais entre advogados e assessores. A Série A da empresa, de US$ 30 milhões, teve participação da Google Ventures em 2024.
A aposta em IA para assessoria de investimentos
No centro da plataforma está a Ester Intelligence, engine proprietária de IA treinada em planejamento sucessório, tributário e cenários de gestão de patrimônio. A Wealth.com afirma que os fluxos de trabalho apoiados por IA cresceram 664% no último ano, à medida que firmas de assessoria substituem processos manuais e fragmentados por automação estruturada. Em 2025, a empresa conquistou aprovação dos três maiores broker-dealers dos EUA, o que destrava acesso a mais de 50 mil assessores financeiros.
A tese é consolidar em um único sistema o que hoje vive em planilhas, dashboards e fornecedores separados. É o mesmo movimento que o Robinhood fez ao lançar um hub familiar de gestão de patrimônio para competir com plataformas tradicionais, e que uma nova geração de ferramentas de IA na assessoria financeira vem empurrando em bancos globais.
“Wealth management technology is being rebuilt in real time. The old model, characterized by fragmented tools, manual analysis and inconsistent advice, cannot keep up with what advisors and clients now expect”, disse Rafael Loureiro, CEO da Wealth.com.
A carteira de investidores reforça a aposta institucional. Além de Google Ventures e Citi Ventures, que já estavam na Série A, entraram novos nomes como Titanium Ventures, Pruven Capital, The K Fund e Dynasty Financial Partners. Charles Schwab, 53 Stations, Anthos Capital e Alumni Ventures mantiveram a participação.
O que observar
Três temas valem acompanhamento. Primeiro, o timing da integração com broker-dealers: aprovação regulatória interna em bancos e corretoras dos EUA costuma se traduzir em implantação lenta, e o ritmo de adoção efetiva, não apenas de contrato assinado, vai definir se a nova geração de wealthtechs captura a escala prometida aos fundos.
Segundo, o efeito da chegada de concorrentes. Plataformas de planejamento sucessório baseadas em IA ainda são mercado jovem, e o ingresso de big techs e bancos tradicionais no espaço pode redesenhar margens em 18 a 24 meses. Vale observar se wealthtechs independentes sustentam crescimento triplo dígito em workflows de IA quando o incumbente começa a embarcar o mesmo tipo de automação.
Terceiro, o track record de founders brasileiros seriais no ecossistema americano. Fundadores que entregaram um exit relevante no segmento anterior tendem a levantar rodadas maiores nos ciclos seguintes, e o próximo sinal (uma eventual Série C ou aquisições estratégicas antes dela) vai testar se o playbook se repete num mercado mais regulado que prevenção a fraude.
Fontes: Finextra • Wealth.com • ThinkAdvisor • Let’s Money: Robinhood hub familiar • Let’s Money: IA na assessoria