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CEO do Web Summit chama Pix de ‘matador de monopólios’

Paddy Cosgrave, CEO do Web Summit, chamou o Pix de ‘matador de monopólios’ e disse que o arranjo pode revolucionar as fintechs no mundo inteiro.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O fundador e CEO do Web Summit, Paddy Cosgrave, chamou o Pix de “matador de monopólios” e disse que o arranjo brasileiro pode revolucionar as fintechs no mundo. A fala foi em coletiva no Web Summit Rio, na quarta-feira (10).

A tese de Cosgrave sobre o Pix

Frente O que ele aponta
Pedágio digital Remove os cerca de 2% por transação online
Concorrência Nivela o campo ao tirar intermediários da cadeia
Exportação Rumo a bancos centrais do Sul Global e à Europa

Declarações no Web Summit Rio, 10 de junho de 2026. Fonte: Bloomberg Línea

Por que o Pix virou tese de exportação

“O Brasil pode revolucionar todo o mundo das fintechs por causa de algo chamado Pix”, afirmou Cosgrave. Para o executivo irlandês, o sistema desenhado pelo Banco Central funciona como alavanca de eficiência macroeconômica ao eliminar intermediários na cadeia de valor digital. “O Pix é um assassino de monopólios. Ele nivela o campo de jogo e remove um enorme pedágio da economia digital. Toda vez que transacionamos online no Ocidente, supõe-se que devemos dar 2% a alguém. Isso é completamente insano”, disse.

Cosgrave acrescentou que grandes incumbentes de adquirência e bandeiras de cartões dos EUA observam o movimento com atenção, e que a tese ainda é pouco compreendida fora da América Latina. “Se eu converso com qualquer pessoa na Europa sobre o Pix, eles não têm ideia do que se trata. Mas quando você mostra os números e a taxa de crescimento, as pessoas ficam atônitas. Minha expectativa é que o modelo seja exportado para outros bancos centrais do Sul Global e, eventualmente, chegue à Europa”, afirmou. No Brasil, empresas já tentam transformar a marca em produto de exportação, com iniciativas de Pix internacional voltadas à América Latina e de cobrança via Pix para fora do país.

O recado tem fundo geopolítico. Em 2025, o Pix chegou a ser alvo de questionamentos nos EUA, episódio que o governo brasileiro classificou como fake news, em meio a queixas de que o sistema ameaçaria plataformas privadas de pagamento.

A virada para fora do Vale do Silício

Cosgrave, que há 17 anos criou o evento, defende que o eixo da inovação saiu dos EUA. “O papel do Vale declinou e o resto do mundo ascendeu”, disse, ao comentar a percepção de que a tecnologia relevante já não nasce só na Califórnia. Ele citou o avanço chinês na inteligência artificial: “Dados de mercado apontam que o modelo da DeepSeek superou a OpenAI e a Anthropic em uso por empresas dentro dos Estados Unidos”, afirmou, em declaração reportada também por veículos de tecnologia.

O executivo relatou ainda que as Big Techs monitoram de perto o que é construído fora dos EUA. Segundo ele, anos atrás viu, na sede da então Facebook, um mapeamento detalhado da interface do WeChat, “tela por tela”. Para o Web Summit, esse fluxo explica a aposta no Rio de Janeiro como praça e a chegada de novas delegações asiáticas, incluindo as primeiras startups do Vietnã nesta edição.

O que observar

A leitura de um organizador de eventos não muda a economia de pagamentos, mas sinaliza onde o capital de risco global está olhando. A pergunta que fica é se o modelo de pagamento instantâneo público se traduz fora do Brasil, onde o desenho institucional e o papel do regulador são diferentes. Vale acompanhar como adquirentes, bandeiras de cartão e provedores de carteiras digitais reposicionam tarifas quando um trilho de custo próximo de zero ganha tração, e quanto desse efeito depende de um banco central disposto a operar a infraestrutura.

O teste prático está nos bancos centrais do Sul Global que estudam sistemas instantâneos próprios. Se a interoperabilidade entre esses arranjos avançar, o atrito e o custo de transações internacionais entram na conta, e aí a comparação deixa de ser teórica para virar disputa por padrão.

Fontes: Bloomberg LíneaStartups

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