O fundador e CEO do Web Summit, Paddy Cosgrave, chamou o Pix de “matador de monopólios” e disse que o arranjo brasileiro pode revolucionar as fintechs no mundo. A fala foi em coletiva no Web Summit Rio, na quarta-feira (10).
A tese de Cosgrave sobre o Pix
| Frente | O que ele aponta |
|---|---|
| Pedágio digital | Remove os cerca de 2% por transação online |
| Concorrência | Nivela o campo ao tirar intermediários da cadeia |
| Exportação | Rumo a bancos centrais do Sul Global e à Europa |
Declarações no Web Summit Rio, 10 de junho de 2026. Fonte: Bloomberg Línea
Por que o Pix virou tese de exportação
“O Brasil pode revolucionar todo o mundo das fintechs por causa de algo chamado Pix”, afirmou Cosgrave. Para o executivo irlandês, o sistema desenhado pelo Banco Central funciona como alavanca de eficiência macroeconômica ao eliminar intermediários na cadeia de valor digital. “O Pix é um assassino de monopólios. Ele nivela o campo de jogo e remove um enorme pedágio da economia digital. Toda vez que transacionamos online no Ocidente, supõe-se que devemos dar 2% a alguém. Isso é completamente insano”, disse.
Cosgrave acrescentou que grandes incumbentes de adquirência e bandeiras de cartões dos EUA observam o movimento com atenção, e que a tese ainda é pouco compreendida fora da América Latina. “Se eu converso com qualquer pessoa na Europa sobre o Pix, eles não têm ideia do que se trata. Mas quando você mostra os números e a taxa de crescimento, as pessoas ficam atônitas. Minha expectativa é que o modelo seja exportado para outros bancos centrais do Sul Global e, eventualmente, chegue à Europa”, afirmou. No Brasil, empresas já tentam transformar a marca em produto de exportação, com iniciativas de Pix internacional voltadas à América Latina e de cobrança via Pix para fora do país.
O recado tem fundo geopolítico. Em 2025, o Pix chegou a ser alvo de questionamentos nos EUA, episódio que o governo brasileiro classificou como fake news, em meio a queixas de que o sistema ameaçaria plataformas privadas de pagamento.








