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Regulaçãobanco central · Banco Central

Will Bank deixa clientes sem acesso ao dinheiro

Após liquidação decretada pelo BC, correntistas enfrentam dificuldades para reaver recursos usados em despesas básicas

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Atualizado em

Foto: Divulgação

A liquidação do Will Bank pelo Banco Central em janeiro deste ano trouxe consequências dramáticas para milhares de clientes. A instituição afirmava ter cerca de 12 milhões de correntistas, dos quais 60% estavam no Nordeste, majoritariamente em cidades pequenas. Sem acesso aos recursos depositados, muitos relatam dificuldades para arcar com despesas básicas como alimentação, aluguel e contas de luz.

Impacto na vida dos correntistas

Felipe Cândido, servidor público de 50 anos, depositou R$ 6 mil no Will Bank em janeiro para pagar mudança e matrícula escolar de uma das filhas. Quatro dias depois, o BC decretou a liquidação e bloqueou o saldo sem aviso prévio. Como o valor ultrapassa R$ 1 mil, ele não foi incluído na antecipação do FGC e já teve o fornecimento de energia elétrica cortado em casa. “O dinheiro está todo sequestrado”, afirmou ao G1.

Deise Juliana, também de 50 anos, estava desempregada e usava a conta para guardar recursos da venda de salgados e sacolés. Ela foi uma das contempladas com acesso antecipado por ter saldo de até R$ 1 mil.

Duas formas de reembolso

O ressarcimento está dividido em duas partes. Investidores em CDBs e letras de crédito do Will Bank têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por instituição. Porém, clientes comuns utilizavam contas de pagamento, que não têm cobertura do FGC.

Pela legislação, os valores em contas de pagamento ficam separados do patrimônio da instituição e devem ser devolvidos integralmente, sem limite por pessoa. A questão é que a devolução só começa após o liquidante concluir a lista oficial de credores, processo que ainda não ocorreu nem tem prazo definido.

Contexto da liquidação

Desde novembro de 2025, o Will Bank operava sob Regime Especial de Administração Temporária, após a liquidação do Banco Master, seu controlador. Como a venda a um novo investidor não se concretizou e houve acúmulo de dívidas, o BC constatou que não restavam alternativas viáveis de reestruturação. Danielle Peniche, advogada de mercado de capitais, explica que os recursos devem ser devolvidos fora da disputa entre credores, mas o prazo depende dos procedimentos da liquidação.

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